Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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Objectivos de Desenvolvimento do Milénio - solidariedade precisa-se

A saia comprida

Ideias

2011-12-08 às 06h00

Isabel Estrada Carvalhais Isabel Estrada Carvalhais

Perante o contexto de crise económica e ante o estado de espírito semi-depressivo a que as nossas sociedades se abandonam, até parece que não há mais mundo para lá destas amarras que nos prendem à nossa frustração colectiva.

O Relatório 2011 sobre os Objectivos de Desenvolvimento Do Milénio cuja versão portuguesa foi esta semana apresentada em Braga na Escola de Economia e Gestão da UM, vem-nos lembrar o contrário. Vem-nos lembrar:
Primeiro, que pese embora o crescente número de desprivilegiados das sociedades material e humanamente mais avançadas, há muitos mais milhões de pessoas para quem a fome, a iliteracia, o desemprego, a pobreza têm sido constantes nas suas vidas desde há gerações.

Convém lembrar que dos 43 milhões de deslocados e refugiados no mundo, cerca de 7,2 milhões nunca conheceram outra realidade que não a dos campos de refugiados; há 67 milhões de crianças que nunca foram à escola, 32 milhões vivendo na África subsaariana - a mesma região onde uma em cada oito crianças morre de fome ou de doença antes dos cinco anos de idade; e em todo o mundo há cerca de 2,6 mil milhões de pessoas sem saneamento básico.

Segundo, que pese embora as nossas dificuldades, é possível não só ajudar quem mais precisa, como tal tem estado a acontecer de forma cada vez mais evidente. Em 2010 a ajuda pública ao desenvolvimento atingiu um número recorde de 128,7 mil milhões de dólares. Neste contexto, Portugal surge como um modesto contribuidor em termos absolutos, mas muito bem colocado em termos relativos, tendo disponibilizado do seu rendimento nacional bruto para ajuda pública em 2010 (0,29%) mais do que a Itália (0,15%) e um pouco menos do que países mais ricos como a Áustria (0,32%).

Terceiro, que num clima em que nos tendemos a concentrar nas nossas desventuras, há ainda lugar à esperança. De acordo com o Banco Mundial, é muito provável que a taxa de pobreza global diminua para menos de 15% até 2015, contra os 46% existentes 1990, e isto apesar da crise económica mundial. O acesso à água potável aumentou de 77% em 1990 para 87% em 2008, perto dos 89% ambicionados para 2015; a taxa de mortalidade de crianças com menos de 5 anos diminuiu de 89 para 60 por cada 1000 nados-vivos entre 1990 e 2009; a taxa de incidência do VIH/SIDA diminuiu em quase 25% entre 2001 e 2009.

Mas o caminho é longo e difícil. Certamente que várias etapas ficarão por alcançar e alguns dos objectivos aquém das expectativas. No entanto, hoje há milhões de pessoas que estão melhor graças aos programas e projectos de ajuda (públicos e privados) implementados ao abrigo da agenda das Nações Unidas que acompanha o cumprimento dos ODM e isso só por si deveria ter uma força legitimadora óbvia. Como tal não acontece, convirá talvez sublinhar para os mais cépticos, que a ajuda em 2010, podendo parecer colossal, representa apenas 0,32% do rendimento nacional bruto combinado dos países desenvolvidos.

Ou seja, ninguém anda a dar nada que não possa dar! Importa também sublinhar que o que hoje fizermos pelo cumprimento dos ODM até e para lá de 2015, fazemo-lo também por nós. Num mundo de profundas interdependências, ninguém fica a salvo da desgraça de ninguém. A bem de todos, solidariedade precisa-se. Não de esmola, nem de caridadezinha, mas de solidariedade como autêntica linguagem de Humanidade.
A todos, um Santo Natal!

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