Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O Voluntário no Escutismo Católico (II)

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Escreve quem sabe

2014-03-28 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No primeiro artigo sobre esta temática, partindo do estudo «Para a caracterização, motivação e valor económico do voluntário [adulto] no CNE» realizado, pela doutoranda, Drª Olga Cunha, sob a supervisão e coordenação da Profª Doutora Boguslawa Sardinha, professora da Escola Superior de Ciências Empresariais, do I.P. de Setúbal, analisamos as caraterísticas demográficas e socioeconómicas relativas aos adultos voluntários do Escutismo Católico Português.
Hoje reter-nos-emos sobre o que motiva este batalhão de 13.760 adultos voluntários a dedicarem para do seu tempo de ócio ao movimento escutista.
As autoras partiram do “Inventário de motivações para o voluntariado (VMI) - Motivações chave - (modelo Cleary et al.)”, respeitando as seguintes categorias:
• Valores - porque acreditam que é importante ajudar os outros;
• Reconhecimento - as pessoas precisam de ter um reconhecimento público;
• Interação social - possibilidade de convívio e estabelecimento de redes sociais;
• Reciprocidade - ao fazerem o bem aos outros sentem que há um retorno;
• Compreensão - sobre o mundo e os seus problemas;
• Reação (Reactivity) - possibilidade de resolver os seus próprios problemas;
• Autoestima - aumento do sentido do seu próprio valor;
• Aspetos sociais - influência da sociedade, comunidade, amigos;
• Desenvolvimento da carreira - novos conhecimentos, competências, redes de conhecimentos;
• Proteção - diminuição do sentimento de culpa.
As cinco primeira categorias podem ainda ser incluídas no âmbito da esfera social, enquanto as restantes cinco na esfera pessoal.
Os adultos voluntários, face ao pedido de, relativamente a estas categorias, se pronunciarem numa escala de 1 (totalmente em desacordo) a 5 (totalmente de acordo), produziram o seguinte resultado:
1. As categorias: proteção, desenvolvimento da carreira e aspetos sociais situam-se abaixo dos 2.5;
2. A categoria: reação (reactivity) situa-se entre o 2.5 e o 3.0;
3. As categorias: reconhecimento e autoestima situam-se entre o 3.0 e o 3.5;
4. As categorias: interação social, reciprocidade, compreensão e valores situam-se entre o 3.5 e o 4.0.
Daqui se pode concluir que os adultos voluntários do CNE privilegiam as categorias de incidência social, deixando para segundo plano as de incidência pessoal, o que permite afirmar que visão que cada um deles tem da Missão do Escutismo está claramente sintonizado no pensamento do fundador que definia o escutismo como um Movimento de Educação Cívica.
Esta convicção é ainda sustentada pelas escolhas feitas pelos adultos voluntários que, num conjunto de quarenta e quatro afirmações, escolhem as seguintes quatro para ilustrarem porque não trabalham no escutismo:
a) para resolver os seus próprios problemas;
b) para no futuro arranjar um trabalho melhor;
c) porque os amigos os convenceram;
d) para se sentirem melhor com eles próprios.
E escolheram as seguinte seis afirmações para justificarem porque trabalham voluntariamente no escutismo:
a) querem reconhecimento pelo trabalho que fazem;
b) sentem-se bem com eles próprios;
c) querem encontrar novas pessoas e fazer novos amigos;
d) gostam de ajudar;
e) perspetiva de retorno positivo no futuro;
f) podem aprender coisas novas.
Estas escolhas, para além de consolidarem a conclusão apresentada, demonstram que a assimilação da finalidade do escutismo que, enquanto movimento educativo, assenta a sua ação na dinâmica de uma metodologia própria tendo como centro da ação educacional o jovem que é o artífice do seu percurso educativo, que age em pequenos grupos sob a liderança de um outro jovem que eles escolhem, mas onde cada um tem uma missão e um papel a desempenhar. Afirmam também a fraternidade mundial do movimento e, para terminar, ilustram de forma admirável a afirmação de Felicidade que Baden-Powell nos deixou na sua última mensagem: «Creio Deus nos colocou neste mundo encantador para sermos felizes (...) Mas o melhor meio para alcáçar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros».

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