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O visconde do castelo que nasceu em Martim

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2018-01-07 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

A nossa região, tradicionalmente conservadora nas suas opções culturais, sociais e políticas, tem desempenhado um papel de relevo na construção da identidade do nosso país. Por essa razão são várias as personalidades que obtiveram reconhecimento nacional e internacional, devido ao papel desempenhado nas diferentes áreas.
Durante a Monarquia Portuguesa, o Rei atribuía títulos aos portugueses que se destacavam nas diferentes áreas: Duque, Marquês, Conde, Visconde ou Barão eram alguns deles.
Um dos títulos nobiliárquicos que foi atribuído a um cidadão da nossa região foi o de “Visconde do Castelo”, concedido pelo Rei D. Luís (apelidado de 'O Popular') a José Joaquim Lopes Cardoso, no dia 14 de março de 1889.
Este barcelense desenvolveu toda a sua atividade profissional em Braga, tendo sido reconhecido pelo Rei de Portugal pela sua grande dedicação ao Ensino e à Medicina.
José Joaquim Lopes Cardoso nasceu na casa da Renda, freguesia de Martim (Barcelos), no dia 26 de maio de 1829. Era filho de Joaquim José Cardoso Martins de Sequeira (nasceu a 5 de janeiro de 1803) e de Ana Joaquina Lopes (nasceu a 2 de agosto de 1803). Licenciou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra e exerceu a profissão de Médico-Cirurgião. Para além disso, foi Delegado de Saúde do distrito de Braga, Presidente da Associação Médica do distrito de Braga e ainda médico municipal de Braga. Na área do Ensino, exerceu as funções de Professor do Seminário de Braga e ainda do Liceu de Braga, onde foi reitor.
No dia 13 de setembro de 1855, José Joaquim Lopes Cardoso casou com Maria Amália de Araújo Pinto Lopes Cardoso e deste casamento resultou o nascimento de dois filhos: Júlio Artur Lopes Cardoso (capitão médico da Guarda Municipal do Porto e casado com Leonor Adelaide de Sousa Alves) e Laura Belmira Lopes Cardoso (casada com João Henrique Pereira Pinheiro que foi sócio de “Pinheiros & C.ª”, uma casa comercial de Braga).
José Joaquim Lopes Cardoso exerceu durante mais de quarenta anos funções na área do Ensino, em Braga, sendo sempre muito admirado pelas suas qualidades profissionais e pela ponderação das suas atitudes e comportamentos.
Tinha várias propriedades no distrito de Braga, sendo dele a enorme quinta de Lamaçães.
Devido às suas qualidades humanas, mas também devido aos cargos que exercia, quer na área da Medicina, quer na área do Ensino, tanto José Joaquim Lopes Cardoso como a sua esposa eram muito respeitados, não só em Braga, como em toda esta região.
Os últimos momentos da sua vida foram apoquentados por uma grave doença, que o deixou acamado e em grande sofrimento. Rodeado por amigos e colegas de medicina, que tudo fizeram para o salvar, passou mesmo assim os últimos dias em atroz sofrimento. Faleceu às 16 horas de sábado, dia 10 de outubro de 1903, na sua casa, na rua da Sé, em Braga.
O seu cadáver foi velado na igreja do Seminário, em Braga, e sepultado no dia 12 de outubro de 1903 no Cemitério Municipal de Monte d'Arcos, em Braga.
No seu funeral, presidido pelo reverendo dr. João Nepomuceno Pimenta, marcaram presença diferentes individualidades do distrito de Braga, bem como estudantes do Liceu de Braga, do Seminário de Santo António, do Colégio dos Órfãos, do Colégio de S. Tomás de Aquino e ainda do Colégio da Preservação, onde era muito respeitado.
O prestígio de José Joaquim Lopes Cardoso foi reconhecido pela Monarquia Portuguesa, que lhe conferiu o título de Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e, posteriormente, o de Visconde do Castelo. Foi o primeiro e único título de Visconde do Castelo, porque sete anos após a sua morte a Monarquia Portuguesa foi substituída pela República.
José Joaquim Lopes Cardoso e Maria Amália de Araújo Pinto Lopes Cardoso eram um casal ligado por grandes laços de amizade e de cordialidade. A sua esposa era, também, muito respeitada e estimada pela sociedade bracarense. Também ela foi agraciada com o título de Viscondessa do Castelo. Estiveram casados 48 anos.
Torna-se curioso verificar que a sua esposa, que passou vários meses gravemente doente, sobreviveu apenas seis dias à morte do marido. Faleceu ao meio dia de 16 de outubro de 1903, com 74 anos de idade, sendo sepultada no dia seguinte, no Cemitério Municipal de Monte d'Arcos.
Creio ser um dever recordar aqueles que contribuíram, também com o seu exemplo de vida, para o desenvolvimento da nossa região e da nossa sociedade. Função que deve ser alargada às instituições locais. O Visconde do Castelo foi um desses bons exemplos.

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