Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O último que apague as luzes

Saboaria e Perfumaria Confiança – pela salvaguarda do seu património

Ideias Políticas

2014-06-10 às 06h00

Carlos Almeida

Não é de hoje a política de destruição de serviços públicos. Infelizmente, nos últimos anos, ora nos governos do PS, ora nos governos de coligação PSD/CDS, temos assistido ao desmantelamento progressivo das funções sociais do Estado. Inúmeros serviços públicos foram encerrados, milhares de trabalhadores despedidos, outros tantos cidadãos privados do acesso a serviços fundamentais e aldeias completamente entregues à sua própria sorte.

Tem sido esta a política dos sucessivos governos. Ignorando as necessidades das populações, violando direitos consagrados na Constituição, comprometendo o desenvolvimento do país, em particular das regiões do interior, Durão Barroso, José Sócrates, António Costa (sim, esse mesmo que agora aparece com cara de santo a dizer que vai salvar o país), Passos Coelho, Paulo Portas, nenhum deles pestanejou cada vez que mandou encerrar uma maternidade, um centro de saúde, um posto de correios, uma escola, uma repartição de finanças ou um tribunal. Está-lhes na alma, é-lhes intrínseca essa vontade de servir interesses privados destruindo, para isso, os serviços públicos. Faz parte da cartilha que lhes alimenta o espírito. Nada pode restar num Estado que querem ver encolhido para melhor servir quem lhes interessa.

A propósito aí vem a nova vaga de encerramento de escolas. Em todo o país, para já, são mais de quatrocentas as que aguardam sentença.
Desde 2002, foram desactivadas cerca de 6500 escolas do primeiro ciclo do ensino básico. Milhares de crianças são, desde então, obrigadas a percorrer distâncias maiores para poderem frequentar a escola, saindo de casa mais cedo e chegando mais tarde.
Pelo caminho ficaram também os projectos pedagógicos e os processos de aprendizagem, tantas vezes tão duramente desenvolvidos.

Em Braga estão em risco de encerramento quatro escolas. Todas estão situadas em zonas rurais, onde já hoje se sofre de desertificação. Em Vilaça teme-se que o encerramento da escola do primeiro ciclo, para além das consequências óbvias, implique ainda o encerramento do jardim de infância, uma vez que os pais não vão querer deixar um filho numa freguesia e o outro na freguesia vizinha, quando podem deixar os dois no mesmo estabelecimento.

Na união de freguesias de Santa Lucrécia de Algeriz e Navarra não restará qualquer escola do primeiro ciclo, mas, ironicamente, manter-se-ão activos os dois campos sintéticos de futebol.
Em Oliveira (São Pedro) e Semelhe ficam as duas outras escolas condenadas.
Por certo, mais virão se nada fizermos para o impedir.

O que restará destas freguesias se não pusermos um travão a esta política?
Da Câmara Municipal de Braga desejávamos uma resposta determinada em defesa da sua população e das suas freguesias. Pelo contrário, o que vimos foi uma absoluta cumplicidade na tomada de decisão. Na verdade, Ricardo Rio escancarou as portas da cidade para que Passos e Portas cá viessem tratar dos seus interesses. Que à saída não se esqueça de mandar apagar as luzes.

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