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O trabalho de formiga até ser Capital Verde Europeia

A praia: um lugar ameaçado de extinção

O trabalho de formiga até ser Capital Verde Europeia

Ideias

2023-07-29 às 06h00

Vítor Oliveira Vítor Oliveira

Guimarães já ganhou! O resultado final só vai ser conhecido no próximo dia 05 de outubro, mas é verdadeiramente incontornável esta (primeira) vitória, ao ser apurada para a exclusiva lista de três cidades candidatas ao título de Capital Verde Europeia 2025.
Em 2017, Guimarães também foi classificada para a finalíssima. Ficou em 5º lugar num ano com treze cidades candidatas! Agora, concorreram dez. Desta vez, só três passaram para a grande decisão, quando as “apostas” ambientais recaíam numa urbe italiana. Tal não sucedeu! Além da Cidade-Berço, fazem parte do pódio a cidade austríaca de Graz e a lituana Vilnius.
Comecemos por Graz, a segunda maior cidade da Áustria, com quase 291 mil habitantes e com um dos centros históricos melhor preservados da Europa Central. Capital da província da Estíria, Graz está localizada no sul da Áustria, a 200 quilómetros da capital do país, Viena.
Na sua candidatura a Capital Verde Europeia 2025, tem dois pontos fortes: a mobilidade e a sua área verde, muito bem cuidada. Provavelmente, o principal postal da cidade será Schloßberg, um parque público situado no alto de uma colina, bem no centro de Graz. A posição geográfica da cidade faz com que esteja muito perto da Croácia e a 50 quilómetros de Maribor, urbe eslovena que dividiu com Guimarães o estatuto de Capital Europeia da Cultura 2012.
A metrópole austríaca, por sua vez, tem dois pontos fracos. A sua candidatura não tem muita expressão na concertação e envolvimento social, nem comunitário. Se Guimarães tem o Ave, a cidade de Graz tem o rio Mur, que praticamente divide ao meio o município austríaco, conhecido pelos apelativos “Mercados de Agricultores”, uma das suas principais atrações.
As construções renascentistas e medievais valeram à região o título de Património da Humanidade da UNESCO e, em 2003, foi nomeada “Capital Cultural da Europa”. Contudo, é a primeira vez que concorre a Capital Verde Europeia, sendo que a Áustria nunca conquistou esse título. Nem a Lituânia, que apresenta Vilnius nesta finalíssima, que também concorre pela primeira vez.
Portugal, por seu turno, já conquistou por uma ocasião, através de Lisboa, em 2020, justamente no ano em que Guimarães ficou em 5º lugar na sua primeira submissão ao título de Capital Verde Europeia. Por essa razão – por ser a segunda vez e pelas cidades adversárias se estrearem nestas andanças –, a candidatura vimaranense parte teoricamente em vantagem, assumindo a “poleposition” nesta corrida ambiental.
Há, todavia, um óbice que poderá colocar em causa essa premissa. Das três cidades finalistas (Guimarães, Graz e Vilnius), apenas uma é capital de um país. Às margens do Mar Báltico, a pequena cidade lituana de Vilnius destaca-se pelas ruas verdes e pelo seu “Antakalnis”, um bairro arborizado com cerca de 80 quilómetros quadrados – uma zona habitacional repleta de parques e áreas verdes, que resulta numa harmoniosa integração da natureza em meio urbano.
Se Guimarães tem o Paço dos Duques de Bragança, a concorrente lituana tem o… Palácio dos Duques da Lituânia! É um dos pontos turísticos obrigatórios. O imóvel foi demolido no século XIX, mas posteriormente reconstruído, preservando-se a arquitetura original do edifício. Pouco conhecida do grande público, a urbe lituana tem as suas raízes na era medieval, com prédios construídos em estilo gótico, barroco e renascentista.
Seja como for, Vilnius tem a força de ser capital e de liderar algumas redes ambientais, além de contabilizar regulares presenças europeias. Não é à toa que Vilnius é uma das cidades mais visitadas dos Países Bálticos. E Guimarães também – onde figura o elevado nível de envolvimento, compromisso e comprometimento dos vimaranenses com os desafios que lhes são propostos…
Outro ponto fraco: a cidade da Lituânia, apesar de ser a capital do país, não possui uma rede de metro – o que lhe fragiliza no indicador da “Mobilidade”. Outra eventual condicionante: a (atual) Capital Verde Europeia 2023 é Tallinn, centro nevrálgico da Estónia – que fica relativamente perto de Vilnius, mais precisamente a oito horas de distância, por via rodoviária! E não é vulgar haver proximidade nas cidades vencedoras. Mas esse pressuposto pode mudar, naturalmente…
Guimarães, por sua vez, tem um indicador que vence, a longa distância, as suas opositoras. Refiro-me às medidas implementadas de mitigação às alterações climáticas! Aliás, Guimarães é das três cidades portuguesas que integram a restrita lista mundial com melhor cotação no barómetro que avalia, todos os anos, o desempenho das cidades no combate às alterações climáticas.
Graz e Vilnius não fazem parte, sequer, dessa lista! Assim, partindo deste pressuposto, Guimarães soma, logo, mais-valias em dois dos sete indicadores na avaliação da Capital Verde Europeia: um é o de mitigação às alterações climáticas e outro o da adaptação às alterações climáticas.
Das três cidades finalistas, Vilnius, por ser capital de um país, poderá ter, na verdade, uma visibilidade maior nesta competição. Mas Guimarães, até à decisão final, também terá esse argumento na hora de defender a sua candidatura nestes próximos três meses. Além do trabalho de sustentabilidade já efetuado, a Cidade-Berço foi a primeira capital do país! E será sempre a Capital Histórica de Portugal…
Da nossa parte, só temos de vestir as cores das nossas bandeiras. Da nacional e da cidade de Guimarães. Em comum, o verde! Da esperança. Da Capital… Verde!

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