Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O terramoto de 1969 em Braga

O que nos distingue

Ideias

2018-02-17 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera disponibiliza, entre outros dados, um mapa dinâmico da atividade nos últimos 30 dias a nível mundial. Dessa análise, regista-se claramente uma intensidade sísmica no sul da Península Ibérica e, nomeadamente, no arquipélago dos Açores.
Apesar da população sentir apenas 15 dos cerca de mil sismos que ocorrem anualmente no nosso país, o certo é que desde o início do ano de 2018 (em apenas um mês e meio) assistimos a notícias diárias referentes a sismos em Portugal. Desses, destacam-se os que ocorreram em Almodôvar, em Arraiolos e, mais recentemente, no arquipélago dos Açores, onde ocorreram cerca de 300 sismos!
Apesar de estar relativamente distante desta atividade sísmica, a nossa região já sentiu alguns abalos que provocaram grandes sustos e, felizmente, poucos danos. O último grande sismo a ser sentido em Braga ocorreu na madrugada de 28 de fevereiro de 1969, há 49 anos.
Eram 3h 41m, de uma sexta-feira, quando ocorreu um violento sismo, a cerca de 230 km de Lisboa, tendo atingido uma magnitude de 7,9 na escala de Richter! A zona sul do país foi a mais atingida, mas esse sismo foi sentido no norte de África, nas Canárias e até em França (zona de Bordéus).
Apesar de Portugal não ser um dos países do mundo mais preparado para este tipo de catástrofes, certo é que os danos causados provocaram, apenas, 13 vítimas, não se comparando com o que ocorreu em 1755.
São muitos os bracarenses que ainda se lembram dessa noite de pânico em Braga. Os relatos que nos chegam da época são bem elucidativos do medo que este sismo causou nesta região. O Correio do Minho, na sua edição de 1 de março de 1969, informa que nessa madrugada de 28 de fevereiro, de intenso luar, os bracarenses assustaram-se, arranjaram-se como puderam e vieram para a rua ver o que se passava!
Já o Diário do Minho, do mesmo dia, refere que na madrugada de sexta-feira, a cidade adormecida foi abalada por ruídos estranhos, semelhantes aos de potentes motores de camiões em movimento, facto que alarmou muito a população. Nos momentos seguintes, e apercebendo-se que se tratava de um sismo, logo a sua população, indecisa e nervosa saltou dos leitos e dirigiu-se para os quintais, para as ruas e para as avenidas, onde, apareceram várias pessoas em pijama e embrulhadas em cobertores.
Enquanto no exterior as pessoas aglomeravam-se, no interior de algumas casas ouviam-se choros, gritos e desespero, numa confusão que só mais tarde serenou com o conhecimento de que não havia vítimas ou desastres a assinalar.
Ao nível da destruição material, não se verificaram grandes danos, que se cingiram somente a queda de pequenos pedaços de teto.
Em algumas instituições de Braga, de cariz social, nomeadamente nos colégios e no Hospital de S. Marcos, os seus utentes foram-se juntando em locais centrais dos edifícios, apenas por precaução, não se verificando, contudo, qualquer dano físico nos utentes.
Como consequência deste sismo, o fornecimento de luz e água ficou afetado o que, atendendo às circunstâncias, provocou ainda mais pânico nas populações!
Este sismo foi também sentido em Barcelos, Guimarães, Viana do Castelo e até Melgaço, onde na freguesia de Peso (Termas de Melgaço), ocorreu a deslocação de móveis do interior das casas e ainda a grande excitação dos animais!
No mar, os pescadores sentiram o sismo devido à ondulação forte e ainda devido às luzes das embarcações, que acendiam e apagavam constantemente.
O Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar, e o Ministro da Saúde e Assistência, Cancela de Abreu, visitaram o Hospital de S. José, em Lisboa, onde se inteiraram do número de pessoas atingidas. Nesse hospital ocorreram várias fendas nas paredes, o que motivou a transferência de muitos doentes para outros pisos menos afetados.
Uma vez que este sismo foi também sentido em França, os órgãos de comunicação deste país deram grande destaque ao que ocorreu na madrugada de 28 de fevereiro, em Portugal. À Embaixada de Portugal em França, assim como ao Consulado e à Casa de Portugal em Paris, foram muitos os portugueses que lá se deslocaram para saberem informações dos seus familiares em Portugal. Uma parte desses portugueses eram naturais de Braga ou dos concelhos minhotos!
Numa altura em que se tem analisado a eventualidade de ocorrer um sismo de grande intensidade em Portugal, nada melhor do que recordar o sismo de 1969, o maior que nos atingiu no século XX. E, tal como diz o Correio do Minho, na sua edição de 1 de março de 1969, esperemos que Quem de uma escapa cem anos viva!

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