Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O rótulo social da impulsividade

Um ano em que a Europa respirou cultura

Escreve quem sabe

2015-10-25 às 06h00

Joana Silva

A forma como comunicamos diz muito de nós e da história de vida que carregámos. Há pessoas que não externalizam as vivências subjetivas e significativas do seu dia-a-dia, talvez pelo receio do que outras pessoas à sua volta possam pensar acerca do próprio ou até numa outra ótica de mostrar que “está tudo bem”. Há por outro lado pessoas que “carregam na boca o coração” e num primeiro impulso externalizam o que sentem e sem rodeios de forma (in) consciente.

Dizem que, “aquele que guarda para si” sofre mais emocionalmente comparativamente com quem o faz pois liberta-se. Mito. Em ambos as consequências são inevitáveis, de um lado por “não dizer”, do outro, “por dizer de mais”. Há quem confunda frontalidade com impulsividade. São conceitos distintos mas em que fronteira é ténue. Certamente que já ouviu, “Eu ao menos digo tudo na cara!” e a pessoa em questão “dispara” assim para todos os lados a indignação. Ser frontalidade é mais do que mostrar um ponto de vista, implica a assertividade, tendo em atenção sobretudo a entoação da voz e as palavras.

Tomemos com exemplo a seguinte situação, um colega de trabalho que para ficar bem visto perante a chefia lhe atribuiu a culpa de uma situação que na realidade não fez. É certo que numa situação destas o controlo emocional é muitas vezes difícil, os nervos dominam voz e as palavras. É legítimo a irritação e o sentimento de traição mas ao proceder-se pela impulsividade acaba-se por se perder a razão.

As pessoas impulsivas pela forma como comunicam tendem a ficar “mal vistas” perante outras pessoas sobretudo perante perfis manipuladores que ao conhecerem os pontos fracos da personalidade impulsiva se aproveitam disso. Sofrem psicologicamente (cismam) e fisicamente (alteração do sistema nervoso, stresse, palpitações etc). Continuando a tomar-se em consideração o exemplo anterior, às vezes “tirar satisfações na hora” não é o melhor.

Ninguém está livre de injustiças, mas lidar com elas exige atenção, cuidado e reflexão. Neste sentido e no seguimento da situação anteriormente descrita, dirigir-se à chefia e de forma objetiva explanando a não veracidade dos factos sem elevar a voz é ser frontal mas não impulsivo. Quanto ao colega mal-intencionado mais do que “mil” características pejorativas lhe fossem atribuídas não iriam “desarmá-lo”.

Ao contrário do que se possa pensar, a adoção de uma atitude mais “serena”, do género “Acusaste-me de algo que eu não fiz. Não esperava isso de ti, quando sempre te tive estima” tem muito mais impacto emocionalmente. O destinatário percebe a mensagem e nada tem para apontar, isto é, na base da cordialidade (sem gritos, chamar nomes etc.), ficando a consciência pesada de quem teve a má conduta.

As pessoas impulsivas têm, por vezes, o rótulo social de serem más pessoas. Não é verdade. São mais sensíveis mas escondem e impulsividade pode estar relacionada com traumas da infância de maus-tratos ou abandono emocional. Uma personalidade impulsiva de certa forma é sempre mais genuína, porque é mais previsível e mostra “o que é”, ao contrário de outras como a manipuladora, o (a) verdadeiro (a) ator/atriz em sociedade.

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