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O Rio e o Montenegro!

Prevenir a demência de Alzheimer – o que está ao nosso alcance?

O Rio e o Montenegro!

Ideias

2020-01-17 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso Carlos Alberto Cardoso

A propósito das eleições internas no PSD, vou-vos contar uma experiência científica, que demonstra o sentido de responsabili- dade solidária de um partido.
Três macacos enjaulados recebiam a sua alimentação no canto direito do seu cativeiro. Certo dia, um cacho de bananas foi colocado num ponto da jaula, onde apenas um dos macacos conseguia entrar. Uma vez lá dentro, ao pegar no cacho das bananas, os três macacos foram atingidos por um choque elétrico irritante, que os deixou atónitos. A experiência repetia-se todos os dias, até que os macacos aprenderam que o choque elétrico era disparado, quando um dos macacos pegava no cacho das bananas.

No dia seguinte, foi trocado um dos macacos. E este novo macaco, sentindo o cheiro irresistível do cacho das bananas, correu para agarrá-lo. Os outros dois macacos, sabendo que levariam novamente um choque elétrico, impediram-no de chegar ao cacho das bananas. A experiência continuou, até que trocaram mais um dos macacos. Este, não resistindo à tentação do cacho, correu para pegá-lo, mas os outros dois macacos não permitiram que o fizesse. A experiência foi-se repetindo sucessivamente, até que os três macacos inicialmente colocados na jaula foram trocados por três outros macacos, que nunca apanharam o choque, nem tocaram no cacho de bananas. E porquê? Porque foram assim ensinados e não foram treinados para contestar. Estes macacos aprenderam pelo paradigma de que não deveriam tocar no cacho de bananas, mas nunca saberão a justificação para tal atitude!

É assim que eu vejo cada vez mais a evolução dos partidos políticos. Uma aprendizagem contínua, que passa de geração em geração, onde os valores são defendidos sem os terem vivido ou sentido. Mas é exatamente neste ponto que tudo se pode distorcer, quando temos gerações de novos políticos, que defendem valores e realidades que desconhecem; quando vemos partidos quase como seitas, de cartilha na mão, defendendo o que muitas vezes não acreditam. Também por isto, acredito que o líder deve ser responsável pelo que faz ao partido. Um líder não pode ser um clone dos seus antecessores, devendo trazer novas experiências, que iniciem novas aprendizagens.
Tenho acompanhado com atenção estas eleições no PSD, e assisto a um diário desvirtuar daquilo que deve ser a marca diferenciadora dos seus candidatos a líderes. Quem mais pode proporcionar experiências, que ensine? Rui Rio é aquele que, aparentemente, traz novas experiências. Mas estará o partido disposto a aprender?

Esta tem sido uma luta agonizante. Cito Maquiavel, em “O Príncipe”, onde fala sobre a luta travada pelo príncipe: “Há dois métodos de luta. Um é pela lei, e o outro pela força. O primeiro é próprio dos homens. O segundo, dos animais. Entretanto, como o primeiro método é muitas vezes insuficiente, deve-se aprender a usar o segundo. Um príncipe, então, sendo obrigado a saber lutar como um animal, deve imitar a raposa e o leão, pois o leão não sabe proteger-se das armadilhas, e a raposa não consegue defender-se dos lobos. O príncipe, portanto, deve ser uma raposa para reconhecer as armadilhas e um leão para assustar os lobos.”
Acredito que Rui Rio será no sábado eleito presidente do PSD, sob o lema “Portugal ao Centro”. Surpreendeu-me na forma e não na substância. Fez o que outros líderes não fizeram: faz e diz o que lhe vai na cabeça. Não sei se é um homem mau ou bom, mas assusta-me com o que pode ensinar.

Para terminar, uma reflexão à conjugação dos nomes dos candidatos: Rio e Montenegro. Num tempo onde a Natureza é a chave da política, no momento onde falamos da descarbonização, os militantes têm de escolher entre um Rio e um Montenegro. Uma coisa é certa: os grandes rios nascem entre os montes...
Faço votos para que o rio não fique negro!

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