Correio do Minho

Braga,

O renovado Parque da Ponte

Serviços de pagamento: mudaram as regras

Ideias

2012-04-03 às 06h00

Jorge Cruz

Aproveitando para assinalar o Dia Mundial da Árvore, a Câmara Municipal de Braga procedeu, há dias, à inauguração do renovado Parque de S. João da Ponte, magnífico espaço situado na freguesia de S. José de S. Lázaro.

Como então foi sublinhado com visível satisfação pelo presidente da autarquia, “as obras estão finalmente concluídas, deram muito trabalho e investiram-se aqui mais de dois milhões de euros. Mas valeu a pena”, concluiu Mesquita Machado, destacando a propósito que o Parque da Ponte “é agora uma zona de lazer onde todas as pessoas, independentemente da faixa etária, podem encontrar divertimento para passar umas horas sábias e felizes”.

Não tenho quaisquer dúvidas quanto à necessidade de recuperação daquele lindíssimo espaço de lazer e até me incluo no grupo dos que acreditam que, sob o ponto de vista da oportunidade, a operação agora concluída só pecou por tardia. Impunha-se, de facto, e desde há longo tempo, proceder a uma profunda intervenção que pudesse contribuir para, na prática, devolver o espaço a todos os bracarenses que dele pretendam usufruir.

As incertezas que me assaltam não se prendem, pois, com a oportunidade das obras mas com aspectos que até podem ser considerados comezinhos por alguns mas que certamente causam apreensão a muitos mais.

A minha primeira grande dúvida tem a ver com o facto de os técnicos responsáveis terem considerado “indispensável a criação de um parque infantil de generosas dimensões, entendido como o parque infantil de referência e de excelência da cidade”. A perplexidade, neste caso, não decorre de qualquer posição contrária à ideia expressa pelo arquitecto mas sim a aspectos laterais mas nem por isso menos relevantes.

Em primeiro lugar - até pelas gravíssimas consequências que a utilização da infra-estrutura entretanto construída pode originar - coloco, desde logo, a gritante ausência de segurança do novo parque infantil, com divertimentos colocados em plataformas de nível num terreno que oferece, ele próprio, desnecessários e perigosos riscos, alguns dos quais sem protecção adequada como sejam escadas e desníveis de vários metros.

Custa-me a acreditar que Mesquita Machado, autarca experiente e pessoa com reconhecida sensibilidade para os assuntos que se relacionam com crianças, tenha aprovado um recinto que, pela sua enorme perigosidade, não tem condições para corresponder, minimamente que seja, à ideia peregrina de “parque infantil de referência e de excelência da cidade”. O que sucedeu então? Já haverá na Câmara de Braga técnicos em roda livre? Estaremos perante um caso de distracção e cansaço ou de pura inaptidão? Como quer que seja, a situação impõe uma intervenção célere da autarquia para evitar a ocorrência de qualquer acidente grave.

Mas não são apenas as graves deficiências estruturais na implementação do parque que me preocupam.

De facto, confesso que a existência, a algumas dezenas de metros, de outro grandioso espaço de lazer também me suscita muita apreensão tanto mais que este empreendimento foi lançado e construído já com as obras de renovação do Parque da Ponte em andamento. Não sei como esta situação é compaginável com a clarificação de relações entre os diversos espaços de que falou o arquitecto responsável.

Finalmente, e não menos relevante, a questão económica. A reabilitação do Parque da Ponte custou “mais de dois milhões de euros” e contemplou, além do tratamento paisagístico e ambiental, a criação de um parque de estacionamento, a renovação de todas as infra-estruturas eléctricas, a melhoria do escoamento das águas pluviais e a construção do tal parque infantil.

Ora, a construção do chamado parque de lazer das Devesas, localizado paredes meias com este, portanto a poucos metros de distância, superou largamente o milhão de euros. Convenhamos que é, no mínimo, de difícil compreensão. Tanto mais que apregoam - e fazem-nos sentir - que estamos em crise!

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