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O regresso à escola

Que futuro?

O regresso à escola

Escreve quem sabe

2020-09-11 às 06h00

Carlos Alberto Cardoso Carlos Alberto Cardoso

Nunca o regresso à escola foi tão cheio de incertezas, receios e medos. Lembro-me bem como era regressar à escola no meu tempo, na década de 80 e 90. Partíamos com as aventuras das férias ainda presentes e com a expectativa das férias de Natal estarem já no horizonte. Era sempre uma alegria o encontro com amigos e a realidade de poder, finalmente, usar os novos materiais escolares.
Para a semana, quando os meus filhos regressarem às aulas – ele para o 3.º ano e ela para o 7.º ano – tudo será diferente. Esta pandemia mudou tudo, mas sobretudo a forma de pensar e sentir as coisas. Não sei o que sentirei, não sei se serei invadido por receios ou pela esperança. Mas sei que será o regresso mais estranho de todos!

Quase 400 mil crianças do 1.º ciclo terminaram o ano letivo com aulas em casa. A grande maioria com a família a participar na sua vida escolar, de forma presencial e especial, na nova sala de aula, mesmo ao lado do quarto. Num estudo publicado recentemente, apenas 25% dos pais acreditam que as crianças estavam felizes com o método de ensino à distância, justificado porque os filhos tinham saudades dos amigos, porque eles queriam ir à escola mais do que nunca, porque precisavam do abraço da professora, do beijo e até daquela intriga entre colegas, que os faz rir ou chorar, mas que os ajuda a crescer e a ser mais humanos. O regresso vai acontecer, mas cheio de condicionalismos: com a distância mínima, a máscara e as mãos higienizadas, mas sem espaço para a diversão, para o convívio, sem intervalos. Não haverá sorrisos, a não ser o do olhar. Mas haverá muito medo: das crianças com temperatura, dos filhos que parecem não ter paladar ou olfato.

A questão que mais se partilha nestes dias é como vamos obrigar uma criança a cumprir o distanciamento, com os amiguinhos ali mesmo ao lado?. E qual é o pai, mãe, avó ou avô que lhes nega um abraço no regresso da escola? Este regresso será medonho, porque tem dois sentidos: o da escola e o de casa. Se as crianças, até agora, suportaram estar longe dos amigos, foi em grande parte porque estavam mais próximos da família sempre presente.
E agora?
Como vamos lidar com este regresso?

Os nossos filhos por muito cuidado que exista, vão estar expostos, vão ser colocados em risco e irão regressar todos os dias a casa. E é este regresso que mais me preocupa. Não o regresso à escola, ma so regresso a casa. As relações intergeracionais que tanto valorizamos, podem ser um fator acrescido de preocupação.
Em que sociedade nos vamos transformar?
E estas crianças, como vão olhar o mundo real?.

Estas são questões com respostas incertas e, sobretudo, com emoções desajustadas. Uma coisa tenho a certeza: os meus filhos estão encantados com este regresso à escola e eu estou preocupado com o regresso a casa!
Vamos acreditar, vamos confiar, que neste regresso, todos poderemos sorrir com os olhos e abraçar com o coração!
Boa sorte, porque é de sorte que se trata!

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