Correio do Minho

Braga, terça-feira

O Ranking nas Escolas

Ser de Confiança

Ideias Políticas

2018-02-27 às 06h00

Francisco Mota

A Escola é um espaço por excelência de formação e preparação dos Homens e Mulheres do futuro. A educação e o seu perfil de desenvolvimento de competências e conhecimento alteraram-se profundamente nas últimas décadas. A competitividade do mercado de trabalho, as preocupações familiares com o emprego e a realização pessoal dos jovens fizeram com que existissem verdadeira mutações, pela positiva, na rede educativa. Contudo, a falta de compromisso político e a guerrilha ideológica não permite alcançar um desenvolvimento e estratégia integral na educação tendo no aluno e do seu desenvolvimento a prioridade e o foco central das políticas educativas.
Lamentavelmente a educação tem sido mais uma arma de arremesso político do que um escudo armado para o desenvolvimento do País. Cronologicamente percebemos facilmente o quanto isto é verdade: processo da parque escolar, que visava regenerar todas as infraestruturas escolares em três fases, nem da primeira passou com o bolo orçamental a esgotar-se logo nas primeiras obras, retratando assim um dos maiores assaltos, de sempre, ao erário público; banalização dos cursos das novas oportunidades a onde critério deu lugar ao facilitismo; mercantilização no acesso ao ensino superior, assistindo à loucura desenfreada do cumprimento das estatísticas e metas europeias; perseguição às escolas com contrato de associação e à liberdade de escolha dos país e alunos; desvalorização do professor enquanto mestre do conhecimento e falta de estratégia entregada e concertada com as regiões, instituições de ensino, empresas e mercado de trabalho.

Naturalmente que nem tudo está mal feito e que existem processos e projectos educativos que merecem o devido reconhecimento pelos resultados alcançados nos diversos eixos de actuação da escola, sejam eles pedagógicos, educativos, socias, culturais ou desportivos. Mas então para que serve os Rankings?
Os rankings são mais uma, e importante, ferramenta e não o fim. Ao longo dos anos, nos sucessivos governos, temos deparado com cada vez mais indiciadores e informação disponibilizada para se produzir os números finais, considerando até as realidades socio económicas de cada escola. Naturalmente que a discussão que é apresentada publicamente é retratada no quadro demagógico, mas interessa é salvaguardar que à medida que analisamos a classificação disponibilizada percebemos que há escolas que, apesar do seu contexto adverso e difícil, alcançam vitórias consideráveis com e pelos seus alunos. Mas também há outras que não o estão a fazer. E isto é que deve ser o central na discussão das políticas educativas e de futuro, porque ao contrario do que muitas das vezes nos é apresentado, os rankings não são bons nem maus, mas espera-se que sejam úteis e utilizados para que a tutela possa contrariar com cada escola as dificuldades e encontrar o rumo certo na melhoria dos seus alunos. Se este desafio for abraçado em conjunto com a comunidade educativa, dando um sinal claro de querer rasgar a escuridão do insucesso para dar lugar à exigência, ao compromisso e à missão para a qual estão vocacionados certamente podemos afirmar que os rankings cumprem o seu objectivo.
É importante centrar a acção no que é mais importante, os alunos e concretizar com objectivade esta missão. Aliás como diria Ana Rita Bessa “por o termómetro, fazer a radiografia e medir a tensão, dá-nos o diagonóstico. Mas não trata e não cura.” Os rankings podem disponibilizar um raio x da realidade, mas o mais importante é discutir as patologias e concentrarmo-nos no tratamento.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.