Correio do Minho

Braga, sábado

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O ranking e a liderança das escolas

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

Ideias

2018-02-03 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Tivemos conhecimento, há dois dias, da publicação de mais um ranking das escolas.
Todos sabemos que esta análise engloba variáveis que podem adulterar os resultados finais. Desde logo as condições físicas que a escola oferece, a localização geográfica e o meio envolvente, a estabilidade do corpo docente e o número de provas realizadas, em cada estabelecimento de ensino, são dados a ter em conta e que, evidentemente, não podemos ignorar.
Nestas ocasiões, muitos dirigentes escolares gostam de desvalorizar estes dados, principalmente aqueles cujos estabelecimentos se encontram no fundo da tabela. No entanto, existem sempre algumas ilações a retirar desta lista, que de todo não pode ser considerada totalmente inútil. Neste contexto, e cingindo-me apenas às escolas da nossa região, há dados que se tornam difíceis de entender, nomeadamente em escolas que tendem a manter-se sistematicamente nos últimos lugares desta lista.
Baseando-me apenas nos dados que se encontram na publicação divulgada, devemos analisar alguns, como a localização das escolas e as condições físicas que as escolas oferecem. Assim, todos sabemos que existem edifícios escolares no distrito de Braga que possuem instalações degradadas e que necessitam de obras com alguma urgência e, por outro lado, existem estabelecimentos de ensino que se encontram bem equipados e requalificados.
Sendo assim, não se compreende muito bem que:
- Uma escola situada no extremo do concelho de V. N. Famalicão, onde a maioria da população é operária fabril, onde não existem bibliotecas, cinemas, teatros, centros de cultura nas redondezas; uma escola em que os pavilhões estão degradados, sem climatização nas salas de aula, sujeitos a dias de intempérie quando têm de mudar de pavilhão; uma escola onde alguns alunos usam durante a semana quase sempre o mesmo vestuário e calçado gasto, alguns deslocando-se de manhã sem tomarem o pequeno-almoço, obtém resultados positivos nos exames de 3.º Ciclo, encontrando-se bem acima da média da tabela nacional e do distrito;
- Outras escolas situadas em Braga, algumas delas bem no centro da cidade, que foram intervencionadas pelo Parque Escolar e pela Câmara Municipal, que possuem instalações luxuosas, com mais do que uma biblioteca, com material informático moderno e atualizado, com auditórios e pavilhões desportivos, com transportes permanentes e próximos, encontrem-se bem abaixo da média nacional e do distrito, mesmo no fundo da lista, com médias negativas, algumas a causar estranheza e vergonha.
Desde o decreto 75/2008 (de 22 de abril) que a escola criou a figura unipessoal do diretor como dirigente máximo de uma escola (para o bem e para o mal). Sendo assim, que explicações terão os dirigentes máximos destas escolas, alguns que permanecem no cargo há anos, e que tudo fazem para serem reconduzidos?
Há uns meses, um diretor de uma escola disse que, quando algum professor, ao início da manhã ou da tarde, casualmente, se atrasa alguns minutos, por motivos de trânsito ou outra razão inesperada, apenas deve ligar para a escola que alguém vai colocar os alunos na sala de aula e estes ficam a aguardar o professor. Quando este chegar, justifica o atraso perante os alunos e dará a aula que tinha preparado. Esta escola encontra-se nos primeiros 25 lugares do distrito, com uma média bem acima da nacional. É uma escola que tem instalações velhas e onde o perfil social e económico dos alunos é idêntico ao referido anteriormente.
Pelo contrário, há escolas, cujo diretor circula pelo estabelecimento de ensino, com um cronómetro na mão, a controlar a hora de entrada e saída dos professores. Esses intransigentes diretores, que circulam pela escola a passar o dedo pelas mesas (o algodão não engana) e gritam com os assistentes operacionais ou técnicos porque acham que as mesas estão sujas, ameaçando-os de seguida com processos disciplinares, essas escolas encontram-se no fim desta lista.
Numa escola, como num outro local de trabalho, o ambiente que é criado é determinante para o sucesso. Numa escola em que os assistentes operacionais e técnicos, em que os alunos, mas também os professores, levantam-se de manhã e deslocam-se para a escola, com gosto, obtém resultados positivos, bem mais positivos (basta consultar o ranking), se compararmos com a escola que têm intervenientes ansiosos e temerários do que lhes poderá acontecer ao longo do dia.
São estes dirigentes, que levantam a cabeça bem acima do nível médio da sua estatura física, que passam o dia a arregalar os olhos a quem se lhes dirige, que são o rosto dos resultados negativos que a sua escola obtém sistematicamente nos rankings.
O decreto-Lei n.º 75/2008 refere, no seu artigo 18.º, que “O director é o órgão de administração e gestão do agrupamento de escolas ou escola não agrupada nas áreas pedagógica, cultural, administrativa, financeira e patrimonial”.
Sendo assim, não será este o momento para os directores, em sessões públicas com alunos, com encarregados de educação, com professores e demais comunidade educativa, prestarem esclarecimentos claros acerca dos resultados que a sua escola obteve?

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