Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O queixinhas

O Estado da União

Escreve quem sabe

2013-04-07 às 06h00

Joana Silva

Se questionar-se um adulto relativamente aos seus tempos de escola, nomeadamente no que respeita aos seus colegas de turma provavelmente irá identificar o colega mais inteligente, outro mais distraído e até aquele que fora rotulado de “ queixinhas”.
Quantas vezes se escutou ou até se observou no contexto familiar, “ Pai , o mano não me deixa brincar à bola!”, no contexto escolar , por exemplo, “ Professora, o João disse um palavrão” ou “ Enquanto foi buscar o material, estes meninos falaram e puseram-se de pé sem autorização”. Na verdade, as crianças tendem a fazer queixas de algo quando não lhes agrada. A queixa, normalmente, serve para reivindicar a atenção dos adultos e quando não a alcançam tendem a ficar tristes ou chateadas porque não tiveram em consideração o seu problema de momento. Efectivamente, é através das situações do dia-a-dia que as crianças adquirem competências sociais. O desenvolvimento emocional da criança subentende um etapa mais egocêntrica, comum e normal, e é sobretudo através da gestão das experiências que adquirem mais maturidade emocional. Neste ponto convém realçar, que a fase de egocentrismo que ocorre na infância tendem a ser breve, todavia, em algumas crianças a fase de transição desta etapa é mais tardia, logo, reincidem nas “queixinhas”. Por outras palavras, por norma, tem muita dificuldade em resolver situações desagradáveis e conflitos e como tal “socorrem-se” de terceiros, mais concretamente, de adultos ou até irmãos ou colegas mais velhos. Há motivos para se “queixarem” e outros que não se justificam. Usualmente queixam-se numa primeira, segunda ou até terceira situação e presta-se a devida atenção ao “problema”, no entanto, quando este processo ocorre de forma sistemática, decerto, os adultos poderão a considera -lo como mais uma lamentação sem motivo. Neste sentido é importante frisar-se que, mesmo em qualquer situação e mesmo que a criança tenha por “sistema” o uso da queixa recorrente é necessário prestar-se-lhe atenção, porque pode mesmo existir argumentos e razões para tal. De ressalvar, que prestar atenção não implica aceitar todas as queixas, importa sim explicar -lhe, que as queixas só devem acontecer quando de facto existem motivos.
Do mesmo modo, os adultos devem explicar, às crianças que pelo facto de fazerem queixas sucessivas, poderão perder a confiança dos amiguinhos ou adultos. Num outro contexto de reflexão, é comum os pais perguntarem aos seus educandos como correu o dia. É realmente importante perguntar se tudo correr bem, agora outra situação é aquela em que se pede para que a mesma explique o que correu mal numa “infinidade de porquês”, na tentativa de esmiuçar algum pormenor que ainda não tenha ficado claro. É muitas vezes na sequencia deste processo, que estimula-se para determinado comportamento mesmo sem a consciência e intenção para tal, pois as crianças que se apercebem que os pais são “vulneráveis a estes comentários” usufruem das “queixinhas” para obter atenção dos mesmos. Pais, educadores ou agentes da educação devem intervir e orientar a criança, com carinho, atenção e respeito, para que as queixas não se tornem num círculo vicioso.

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