Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O que o faria mais feliz?

Saboaria e Perfumaria Confiança – pela salvaguarda do seu património

Ideias

2015-10-23 às 06h00

Margarida Proença

Este título foi utilizado, numa versão muito semelhante, por um conjunto de economistas (Benjamin, Hefftez e Rees-Jones) que assim designaram um artigo publicado em 2012, na American Economic Review. Enfim, trata-se de uma questão que já fez seguramente correr rios de tinta, envolvendo uma clara diversidade de argumentos remetendo para a filosofia, a psicologia, etc, até mesmo a genética. Já os romancistas e poetas, preferem olhar antes para a infelicidade, pois é aí que se encontram as boas histórias.
No entanto, a felicidade, o bem estar individual ou a satisfação com a vida, pode ainda ser abordado por outras abordagens. E por estes dias, o Prémio Nobel da Economia atribuído a Angus Deaton, justifica alguma atenção. Aliás, na sequência da grave crise financeira de 2008 e da relativa dificuldade de relançamento do crescimento económico de forma clara e sustentada a uma escala global, provavelmente nas próximas décadas os governos poderão ter de se confrontar com alterações significativas na forma como definem e implementam as políticas distributivas.
A felicidade é como bem sabemos, subjetiva, e demasiado vaga; cada um, individualmente, terá uma perceção diferente do que o faz mais ou menos feliz, ou do que lhe transmite maior bem estar - a família, o conhecimento, os amigos, a saúde, as viagens, o futebol, o estatuto social, os bens que se têm, o nível de rendimento, o emprego, a participação ativa na sociedade, etc. É portanto muito difícil de ser medida , mas muito autores têm-se preocupado com o desenvolvimento de indicadores que permitam medir o conceito relacionado de bem estar subjetivo, e que se baseia na avaliação cognitiva que cada um faz da sua vida, as emoções positivas que têm a ver com o afeto como alegria por exemplo, e um terceiro conjunto de atributos que procuram medir o significado da vida, o grau de controle, por exemplo.
A OCDE publicou recentemente um relatório sobre os níveis de bem estar nos países que a constituem. De acordo com os dados, nos dezassete países abrangidos pelo estudo, 1% das famílias têm mais riqueza do que 60% das famílias no seu conjunto. Claro que nos países no topo do rendimento per capita, os níveis de satisfação são bem mais elevados, mas mesmo nesses casos ainda há margem para melhorias. Na Dinamarca, por exemplo, o tempo dedicado ao lazer, ou a satisfação com a vida, é muito superior ao que se observa na média dos países da OCDE , mas o preço das casas é elevado; em geral, observam-se grupos perfeitamente distintos na apreciação feita; em geral os países ricos do Norte com níveis de satisfação elevados, e os países do Sul da Europa e da Europa de Leste numa situação contrária. Em Portuga, tal como na Itália, na Grécia, na Eslovénia ou na Hungria, o grau de satisfação revelado é muto baixo. Curiosamente , os espanhóis ainda que manifestam muita insatisfação com a insegurança no mercado de trabalho ou com o desemprego, entre outros, têm uma atitude mais positiva.
Os autores de que acima falamos, perguntaram a muita gente o seguinte:” o que preferia? Ganhar 80.000 dólares por ano e dormir bem de noite, digamos 7h e 30, ou ganhar muito mais, na ordem dos 140.,000 dl e ter pouco tempo para dormir?”
Ora bem; a maior parte das pessoas (70%) respondeu que preferia ganhar menos e dormir mais; outros responderam que preferiam ganhar menos e ´manter mais vivos os relacionamentos com amigos e famílias, do que emigrar por exemplo para outro país. Perto de metade dos inquiridos disse que preferia pagar mais pela casa e estar a 10 minutos do emprego, do que pagar bastante menos e viver a 45 minutos de viagem. Estas respostas, entre outras , eram dadas á questão - o que as faz mais felizes?
No entanto, se lhes perguntavam de outra maneira - o que escolheriam de facto, se tivessem mesmo de o fazer, já bastantes alteravam a decisão inicial. Isto é, apesar de preferirem estar perto do emprego, ou perto da família, ou ainda descansar mais ou ter mais tempo livre, na altura da decisão muitas das pessoas que responderam ao inquérito afirmavam que não, a decisão iria mesmo era para um nível de rendimento disponível mais elevado.
O futuro, acredito, obrigará cada vez mais a formulações de política que tenham presente esta dificuldade.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.