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O PSD e o interesse nacional

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O PSD e o interesse nacional

Ideias

2021-11-04 às 06h00

José Manuel Fernandes José Manuel Fernandes

António Costa perdeu as eleições em 2015, mas criou a geringonça para impedir que o PSD formasse governo com Pedro Passos Coelho a primeiro-ministro. A geringonça não foi feita em nome do interesse nacional. O objetivo de António Costa foi sobreviver politicamente e, para isso, avançou para um acordo com partidos radicais. Portugal ficou adiado e a governação limitou-se a distribuir fundos europeus e a boa herança que tinha sido recebida.
A aprovação do Orçamento do Estado foi sempre uma farsa nestes últimos anos. O Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda (BE) exigiam. António Costa aceitava. O Orçamento era aprovado, todos batiam palmas e vendiam-no aos respetivos eleitorados com base nos ganhos conquistados por cada uma das partes. Acontece que os ministros das Finanças, Mário Centeno e agora João Leão, congelavam e cativavam as verbas das diversas áreas, não permitindo, assim, a execução dos compromissos que tinham sido assumidos. Foi sempre assim e assim iria continuar! Ninguém enganava ninguém, mas todos faziam de conta perante o país.
Nestes seis anos de geringonça, Portugal não se modernizou; a carga fiscal aumentou; o investimento público diminuiu; e caímos para a cauda da Europa, em termos de salários médios e da riqueza produzida. Apesar das condições favoráveis e de muitos fundos europeus, a verdade é que regredimos nestes anos. O que era expectável! Estas esquerdas não gostam da iniciativa privada, não aceitam que se fale em competitividade, mérito, rigor ou produtividade.
Era evidente que a coligação contranatura das esquerdas se mataria a ela própria. Não se pensava é que seria tão cedo. Pela segunda vez em democracia (a primeira foi em 1978), foi chumbado um Orçamento do Estado que teve o mesmo efeito que uma aprovação de uma moção de censura.
Nestas eleições legislativas, o PCP e o BE serão os mais penalizados e terão grandes dificuldades em explicar ao eleitorado o porquê do chumbo do Orçamento do Estado mais à esquerda alguma vez apresentado pelo Partido Socialista. Aliás, em rigor, o PCP e o BE chumbaram o orçamento, não por causa do que nele constava, mas com outras desculpas, como é o caso da exigência de mudanças na legislação laboral, que é uma matéria independente do OE. O PS, ainda que receba muitos votos do PCP e do BE, não atingirá a maioria absoluta. Aliás, é preciso não esquecer que foi o PS que criou a geringonça e que esta falhou, pelo que não poderá aparecer agora com o argumento de que congrega as esquerdas.
Depois das eleições legislativas, António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins não terão condições para continuarem na liderança dos respetivos partidos. Não será possível e não será credível falar-se num novo acordo das esquerdas, quando os protagonistas são os mesmos. O risco será o de passarmos a ter um PS mais à esquerda, um PS “bloquizado”. É bem notória a avidez, pressa e disponibilidade do ainda Ministro Pedro Nuno Santos para liderar uma nova geringonça.
O Partido Social Democrata tem todas as condições para ganhar as eleições legislativas e formar Governo. É necessário um efeito “Moedas”, o que implica uma nova liderança no PSD que tenha a ambição de formar uma maioria estável, que dispense os partidos radicais e extremistas. Uma liderança que apresente um programa onde a competitividade, a produtividade e o empreendedorismo se conju- guem, em simultâneo, com a inclusão, a igualdade de oportunidades e a coesão territorial, económica e social. O PSD merece e precisa de um líder que se mova bem no contexto global e na União Europeia. Uma liderança serena e agregadora, aberta, que procure os melhores e que atraia quadros, como Miguel Poiares Maduro e o Fernando Alexandre. Conheço bem o Paulo Rangel. Considero que é aquele que melhor cumpre e preenche tais requisitos.
As eleições internas no PSD são uma oportunidade para cada candidato mostrar a sua visão para Portugal e a sua equipa. Recordo que foi a atual liderança que iniciou o processo eleitoral, em face do final do seu mandato, e que sugeriu a data de 4 de dezembro. Adiar as diretas por causa das legislativas é um erro de difícil reparação. O líder do PSD tem de se apresentar nas eleições legislativas com legitimidade formal, mas também, e sobretudo, com legitimidade política. O interesse nacional assim o exige e reclama. O PSD é essencial à nossa democracia e a sua vocação é governar Portugal!
As eleições internas não podem ser suspensas. Devem ser aproveitadas para os candidatos falarem aos portugueses, apresentando as suas ideias, o seu projeto político e os objetivos que querem para Portugal. Neste momento, esta é a melhor forma de se defender o interesse do PSD e o interesse de Portugal!

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