Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O PSD e o desafio de construir um futuro inovador

"Eu não preciso de nada"

Escreve quem sabe

2018-02-03 às 06h00

Manuel Barros

Portugal está, neste momento, do ponto de vista político, numa espécie de estado de letargia e de expetativa suspensiva, que se carateriza por silêncios muito preocupantes. O país está numa situação política, de pressão legislativa em torno de temas fraturantes, cuja prioridade e valia estratégica deveriam ser reavaliadas. Temas que se precipitam ao ímpeto de oportunidade, que os partidos das esquerdas mais radicais estão a aproveitar até a exaustão, num frenesim que se manifesta todos os dias, através da inevitável cedência de António Costa, que lhe é imposta pela incontornável manutenção da atual solução governativa.
Um contexto, marcado pelo sucesso económico do governo liderado pelo Partido Socialista. Pela exigência resiliente, cada vez mais ruidosa, dos partidos que integram a geringonça. Pela popularidade do Presidente da República. Pelo esforço de afirmação do CDS-PP e pelo congresso do Partido Social Democrata, para consagração da liderança de Rui Rio. Pelo reconhecimento do trabalho prestado pelo governo liderado por Pedro Passos Coelho, que sem ter perdido as eleições, desempenhou com forte sentido de Estado, a função de líder da oposição ao longo desta legislatura, uma atitude política que dignificou a democracia. Apesar de muitos pensarmos, que foi mais longe do que devia, a história vai, com toda a certeza, repor a avaliação mais justa.
Entretanto, o imediatismo tomou conta da atividade governativa e legislativa. Numa urgência de mata cavalos, tal como afirmou o deputado do PS, Ascenso Simões, acerca da pressa da Assembleia da República fazer leis sobre a transparência. Um assunto, que merece ser tratado com serenidade, capaz de garantir a sua eficácia e aplicabilidade. Merecendo destaque, neste processo de produção legislativa, a estabilidade da legislação laboral, como uma das preocupações fundamentais, e a garantia da manutenção da tendência da descida do desemprego desde 2013, quer na perspetiva da proteção dos trabalhadores, quer na captação de investimento estrangeiro. Os parceiros sociais estão muito preocupados, e o país está expectante.
Perante este ambiente político, outros factos episódicos de mistura entre a política, os negócios e do futebol se foram sucedendo, chegando ao ponto da tentativa de um envolvimento ignóbil de Mário Centeno, sustentado numa ridícula troca de favores em torno de um simples convite para um jogo de futebol, que em boa hora as autoridades competentes, oportunamente desmentiram. Uma irresponsabilidade que não deixou de causar um desgaste gratuito, em torno de uma figura nacional, que recentemente nos honrou a todos, independentemente das opções ideológicas, com a nomeação para o cargo de Presidente do Eurogrupo.
Enquanto a opinião pública se entretinha com este e outros dislates, mais de consumo interno, o Primeiro-ministro esteve em Davos, a participar no Fórum Económico Mundial. Uma ofensiva diplomática que colocou o país na primeira linha dos investidores mundiais, afirmando o processo de recuperação económico-financeira, acompanhado pelos ministros da Economia, Manuel Caldeira Cabral e das Finanças, Mário Centeno já na qualidade de presidente do Eurogrupo, e ainda pelo Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas.
Durante a presença em Davos, a agenda foi muito intensa. Apoiada por um bom programa de comunicação e promoção da imagem do país. Contou com a colaboração dos mais influentes órgãos de comunicação social internacionais, na apresentação dos resultados alcançados no procedimento por défice excessivo na União Europeia, do reconhecimento das agências de rating e, da aposta para se investir e fazer negócio em Portugal. Mostrou com mestria o lado positivo da realidade nacional. Apesar das insistências contraditórias da política caseira, induzidas pelas ambições do BE e do PCP.
O país está expectante em relação ao congresso do PSD, depois de Rui Rio ter ganho o Partido. Começou a dar sinais, a questionando o PS e os partidos de coligação sobre as oportunidades perdidas, sobre a fixação de multinacionais centradas em Lisboa e sobre a incoerência do discurso da equipa governativa em relação à descentralização, entre outros temas que merecem um posicionamento estratégico mais definido. Apelando para a necessidade de criação de emprego qualificado no interior do país, de forma a combater a centralização a concentração dos investimentos, e o agravamento das assimetrias regionais e sociais. O caminho é muito estreito e tortuoso, no meio de todo este ambiente de otimismo e de sucesso, cada vez mais aparente, de António Costa e da equipa governativa.
O 37º Congresso do PSD, marcado para 16, 17 e 18 de fevereiro, prevê na ordem de trabalhos 20 moções temáticas. Apresentadas, sobretudo, pelas estruturas internas. Incidem sobre temas internos do partido e do país, como o Estado Social, o interior e a desconcentração de serviços. O espírito reformista está patente no vasto leque de moções de estratégia apresentadas. Propostas diversificadas, que vão do aprofundamento das medidas de promoção da paridade, às políticas de desenvolvimento e revitalização dos territórios de baixa densidade, através de um pacto pelo interior, a propor ao PS. Um pacto de coesão do território, que passará pela reforma da proteção civil, por um choque fiscal para o interior, pela desconcentração dos serviços e organismos do Estado, válido para várias legislaturas.
Agora as atenções estão centradas na moção de estratégia de Rui Rio. Na forma como vai afirmar a qualidade da sua liderança e o seu posicionamento ideológico, para se aproximar dos portugueses. Na certeza de que o caminho para chegar ao poder, ainda é longo e, a velocidade será determinada pela capacidade de construir um futuro inovador, para se afirmar como uma alternativa credível.

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