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O problema com a escola de Arentim, Cunha e Ruílhe

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Ideias

2014-09-14 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Inicia-se amanhã, na grande maioria das escolas portuguesas, mais um ano lectivo, que irá preparar uma nova etapa da formação dos nossos jovens e de uma geração que se deseja virada para os valores da competência e do dinamismo, mas também da solidariedade e da verdade, que são hoje cada vez mais escassos.

Neste início de ano lectivo, marcado mais uma vez por um conjunto de problemas que afectam o sistema educativo, houve um que atingiu directamente o concelho de Braga: o encerramento da Escola Básica de Vilaça. Apesar dos vinte e dois alunos inscritos, mais um do que o exigido, o Ministério da Educação demonstrou, com esta acção, que o rigor por si verberado afinal não foi cumprido.

Abstendo-me, por ora, de abordar as questões que afectam a área da educação, no nosso país, vou destacar um episódio, em sentido oposto, e que envolveu o edifício da escola de Arentim, de Cunha e de Ruílhe, no concelho de Braga.
Este incidente ocorreu há 87 anos (1927), por causa de uma casa situada na freguesia de Cunha e que exibia escrito, numa placa, a seguinte referência: “Edifício das Escolas de Arentim, Cunha e Ruílhe - 1883”.

Este era um edifício muito degradado e que tinha tudo o que uma escola primária não deveria ter, ou seja, não tinha água nem tinha electrificação, tinha janelas arcaicas e as portas estavam muito degradadas. As infiltrações eram muitas, causadas pela chuva que entrava pelo telhado e pelas paredes repletas de fissuras.
Perante esta situação, a Inspecção Escolar realizou aí uma vistoria onde funcionava esta escola e conseguiu, junto da Câmara Municipal de Braga, que ali fossem realizadas obras de recuperação do edifício.

A Câmara Municipal de Braga seguiu as orientações do Inspector Escolar e resolveu proceder ao seu restauro, decidindo inclusive qual o valor que seria necessário para as obras e ainda qual o empreiteiro que as iria realizar.

Enquanto o edifício, situado na freguesia de Cunha, revelava grande deterioração, nenhuma das Juntas de Freguesia de Arentim, Cunha ou Ruílhe havia demonstrado grande interesse na sua recuperação. Porém, quando a Câmara Municipal de Braga decidiu pela realização das obras, de imediato as três Juntas de Freguesia começaram a levantar entraves, reivindicando, todas elas, a posse do edifício!

A situação deste edifício agravou-se desde sensivelmente 1920, uma vez que nesse ano a Junta Escolar deixou de pagar a renda pelo seu uso. O problema colocou-se quando todas as Juntas de Freguesia reivindicavam a posse desse edifício escolar, mas nenhuma tinha documentos que o comprovassem. Nem sequer recibos de pagamento que tinham sido efectuados!
Perante esta situação, a Junta Escolar informou as três Juntas de Freguesia que se deveriam entender quanto à posse do edifício pois, enquanto isso não acontecesse, não pagaria nem a renda mensal nem qualquer obra de recuperação.

A questão passou a ter contornos maiores, estando agora em causa o orgulho dos habitantes de cada freguesia. E nesse contexto, até o próprio pároco da freguesia de Cunha acabou por se envolver na polémica, argumentando que este edifício pertencia à sua freguesia!
Segundo este pároco, o edifício tinha sido, em anos anteriores, uma casa de arrumação da Confraria do Santíssimo e N. S. do Rosário e que esta cedia à Junta de Freguesia de Cunha, para que lá estabelecesse a escola primária, que servia as três freguesias. O pároco argumentava ainda que a placa afixada no edifício dizia “Escola Primária Oficial de Arentim, Cunha e Ruílhe” e não “Edifício das Escolas de Arentim, Cunha e Ruílhe”.

O pároco alegava que todos os anos eram feitas obras de manutenção do edifício e que se não tinham sido feitas mais obras era porque as rendas não tinham sido suficientes.
Por outro lado, existiam também pessoas que argumentavam que essas obras não tinham sido feitas e que os pequenos reparos que houve eram feitos às custas do professor da escola.
Na altura, as três Juntas de Freguesia queriam o edifício escolar, para aí se orgulharem de servir os alunos das suas áreas geográficas.

Na actualidade, a realidade do país é bem diferente, uma vez que é próprio poder central a proceder ao encerramento compulsivo das escolas. E neste ano lectivo, serão menos 311 escolas do 1.º Ciclo a abrir portas e a servir as suas populações. São gerações de jovens que se afastam gradualmente dos seus locais de infância, contribuindo para uma desertificação ainda maior em várias zonas do nosso país.
Com estas decisões, será que temos um país que proporciona a igualdade e a solidariedade?

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