Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

O princípio do fim da União Europeia

A Biblioteca Escolar – Um contributo fundamental para ler o mundo

O princípio do fim da União Europeia

Ideias

2020-04-03 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

É hoje ponto assente entre os comentadores e analistas políticos que o coronavírus pode ser o fim da Europa., porquanto não serve para nada.
Os países europeus não se entendem na política a seguir. Os países do Norte liderados pela Holanda, mas apoiados pela Alemanha, Finlândia e Áustria opõem-se à criação de mecanismos capazes de evitar a derrocada económica dos países mais frágeis e que mais são atacados pela pandemia. Os países do Sul-Itália e Espanha, acompanhados por outros, como Portugal e com assentimento de outros, como a Fraça, pretendem a criação de eurobonds, ou coronabonds, capazes de mutualizar a dívida, rejeitando programas de ajustamento, impostos a Portugal e Grécia, a quando da crise de 2008-2012 e que deixaram estes países exangues.

Este conflito entre o Norte e o Sul da Europa sempre existiu. Conhecemos bem o aparte do Ministro das Finanças holandês que referia que os habitantes do Sul só se importavam com vinho e mulheres. É uma afirmação que reflete Max Weber em “O Protestantismo e o Espírito do Capitalismo”, que sublinha que as seitas protestantes acreditavam que o sucesso económico era sinal da salvação da alma. Esquecem-se que a civilização europeia nasceu no Sul, os quais tinham os do Norte como bárbaros.

Mas o problema não resulta apenas da afirmação desbocada do ministro holandês. O problema está no âmago da própria União Europeia, a qual criou um mercado com uma moeda que serviu fundamentalmente, os países economicamente mais avançados, do Norte. Os países do Sul compram os bens produzidos no Norte e quando não foram capazes de pagar, foi-lhes imposto um ajustamento com base em austeridade. Mas sem mercado a quem vendem os alemães os seus carros e os holandeses as suas tulipas? Comem-nas?
Faltou à Europa construir uma união política dotada de órgãos próprios, capazes de impor os valores da solidariedade e da coesão. Entregue ao intergovernamentalismo, torna-se incapaz de tomar decisões em tempo e com eficácia. É todo um jogo de interesses entre os 27 países. Isto não é mau, mas é quase nada. E se não muda, mais vale acabar porque assim não serve para nada.

E, como se afirma no Expresso da semana passada, os países da União Europeia estão perante um desafio existencial: ou avançam no sentido da comunidade, percorrendo caminhos há pouco impensáveis, ou fragmentar-se-ão numa anarquia apocalíptica.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

30 Novembro 2020

Um Natal diferente

29 Novembro 2020

O que devemos aos políticos

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho