Correio do Minho

Braga,

'O príncipe enfeitiçado', por António José Cunha

Como sonhar um negócio

Conta o Leitor

2012-07-29 às 06h00

Escritor

Naquele tempo certos povos viviam trancados dentro de mura-lhas fortificadas. Havia um Rei que mandava no povoado; no castelo toda a família devia-lhe obedência.
Ora, o seu filho mais velho deixou em dúvida o velho Rei pretendendo o trono. O Rei não hesitou em transformar a vida do filho. Como castigo, teria de defender o povoado durante a noite mas, pior ainda, ficaria invisível durante toda a noite e devia esconder a sua roupa no cimo do pinheiro mais alto, e à aurora devia de novo subir ao pinheiro para recolher a roupa para de novo tomar a vida de todos os dias.
O Príncipe começou a sentir o castigo como um jugo pesado. Aproveitou então a hora do almoço para pedir perdão ao seu pai, o Rei, e diante de toda a família.
O Rei ficou perturbardo com a surpresa, e pior ainda para levantar o castigo já não se lembrava do feitiço.
Então o Rei mandou a sua guarda à povoação, pedindo a todos os moradores para se reunirem em frente ao castelo: homens à direita, mulheres à esquerda, e as donzelas ao centro.
O Rei apareeeu muito triste. Olhou sobretudo para o centro da multidão, fez um sinal com a mão a uma das donzelas, e duma voz rouca exclamou-se:
- Chegue até aqui, faz favor! Pede aos teus pais para subirem também.
Aos restantes agradeceu e disse:
- Podem voltar às suas casas.
Perguntou, então, à donzela com os olhos em lágrimas:
- Vocé é corajosa?
A donzela colocou os joelhos na chão, na terra, fazendo um sinal afirmativo com a cabeça. Voltou a olhar na direcção dos pais, pedindo-lhes que permitissem que a donzela pernoitasse no castelo.
Só a donzela devia saber o segredo.
Então o Rei explica-lhe tudo...
Ela devia esperar a aurora ao pé daquele pinheiro mais alto, tendo nas mãos uma vara com um aguilhão na ponta. Devia estar muito atenta, pois logo que ouvisse barulho na casca do pinheiro deveria aguilhar com toda a força.
Assim aconteceu, mas qual não foi o espanto da donzela que começou a ver correr sangue pela vara abaixo e ao mesmo tempo na sua frente apareceu o Príncipe, sem roupas. A donzela ofereceu-lhe o lenço da cabeça e, no mesmo instante, a roupa do Príncipe começou a arder no cimo do pinheiro, pondo em pânico as pessoas do povoado que começaram a correr em direcção ao castelo. Quando lá chegaram, tinham à o Rei, a Rainha, o Príncipe e a donzela.
O Rei ofereceu um grande banquete e assim acabou o seu pesadelo. O Príncipe e a donzela casaram-se, e tiveram muitos filhos.

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