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O primeiro Homem era português

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O primeiro Homem era português

Ensino

2022-06-29 às 06h00

Francisco Porto Ribeiro Francisco Porto Ribeiro

Aproposta de artigo de opinião é uma sátira trágico-cómica à atual situação económica e social em que vivemos. A ideia surge de um post no Twitter, de 2021, que recordo agora e onde se defendia o seguinte: “Adão era português. Historiadores acabam de demonstrar que o primeiro Homem era português: era analfabeto, andava de tanga e julgava que vivia no paraíso”. Tenho que admitir que esta imagem tem imensa graça e subscrevo o conceito, praticamente na generalidade, exceto no facto de não gostar de nos revermos de forma tão negativa, porque os portugueses não são analfabetos, de todo.
Assim sendo, e analisando os “considerandos” por partes, considero que hoje em dia está à vista de qualquer “cego”, exceto em raríssimas exceções, que de analfabeto nada temos. Esse “fantasma” pertence ao passado (não muito remoto, mas enfim). Somos, claramente, um país de doutores (por extenso e sem o ser), de engenheiros, de arquitetos, de técnicos especializados em alguma coisa, enfim.
Por outro lado, posso compreender por “analfabeto” aquilo que não compreende educação escolar e universitária, mas também, e isso sim, o “divórcio” social na comunidade, a ausência total de responsabilidade social e a falta de consideração e de respeito pelo próximo (apesar de sermos mais humanos que os nórdicos).
Então, neste considerando, já retiro a crítica. Parece-me, no entanto, que a palavra “analfabeto” é muito cruel e não espelha a realidade, ferindo (sinto-me assim). Mas admito que precisamos muito de educação cívica, de educação associada à responsabilidade social, de verdadeira humanidade e de respeito pelo próximo para não violarmos fronteiras pessoais. É muito importante definirmos a nossa zona de conforto, os nossos limites, as nossas fronteiras. É muito importante também ter coragem de dizer que “não” a algo que vai contra os nossos valores e princípios e estimular o respeito próprio. Esse respeito reflete maturidade, bom senso e humanidade (fundamental). Um exemplo passa, no presente momento, pela liberdade de escolha (não obrigatoriedade) quanto ao uso de máscara. Quem, por si, opta por usar máscara, pelas mais diversas razões, acaba por não ser respeitado por terceiros, em geral, sendo alvo de crítica social e de chacota (nos espaços públicos, no trabalho, enfim).
Hoje em dia, nos espaços públicos, as pessoas afastam-se de quem usa máscara, sem se aperceber que deveria ser exatamente o contrário. Em ambiente laboral, devido à proximidade e maior contacto, o “bullying” é mais forte. Considero que vivemos numa sociedade de total ausência de valores, é um facto.
Por sua vez, no segundo considerando “andamos de tanga”. Admito aqui alguma fragilidade económica do povo português, sobretudo, na ausência de respeito que é sentido por parte da classe política para com os cidadãos contribuintes e para aquelas pessoas que são menos favorecidas.
Claramente, vivemos num momento de “faz de conta”, onde o importante é revelar aos outros o nosso “aparente” bem-estar (absoluto show-off), mesmo que com isso reflita-se num déficit muito grande de humanidade, numa carência de bens essenciais (princípios de Pavelov), de defesa, de bem-estar e de conforto. Na atual sociedade de consumo, vivemos o jogo da aparência, do facilitismo mediático e do fazer de conta, até nas relações.
Por fim, a frase termina de forma lapidar ao julgar que “vivemos no paraíso”, aplicado a todos nós, portugueses (homens e mulheres). Reforço, aqui, o que já foi referido antes, que vivemos num aparente e frágil paraíso, num mundo imaturo de faz de conta, muito voltado para os big-brothers mediáticos.
Na generalidade (e não na especialidade), confesso que me identifico muito com este post pois parece uma fotografia bem-humorada, e realista, da sociedade atual, sendo muito oportuna. Fica a reflexão.

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