Correio do Minho

Braga, segunda-feira

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O presidente da República e o Sporting de Braga

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Ideias

2016-05-22 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

A final da Taça de Portugal em futebol, que se realiza hoje no Estádio do Jamor, em Lisboa, ficará marcada, independentemente do resultado desportivo final, por dois fatores incontornáveis: a comemoração dos 50 anos da única Taça de Portugal que o Sporting de Braga conquistou e a presença do Presidente da República.

A única Taça de Portugal em futebol que o Sporting de Braga tem na sua história foi conquistada, exatamente, num jogo disputado no dia 22 de maio de 1966, passa agora meio século. Foi uma final inédita, contra o Vitória de Setúbal, e que causou espanto no país e em todas as suas colónias. O termo que o jornal “A Bola” encontrou para classificar este inédito jogo na capital da metrópole, Lisboa, foi uma “final provinciana”.

Para assistir a este jogo, as cidades de Braga e de Setúbal ficaram praticamente desertas, estando no Estádio 35 mil pessoas. Nesse vale do Jamor “viam-se o Bom Jesus e os cimos da Arrábida” (“A Bola”, de 23 de maio de 1966). Em Braga, as “ruelas estreitas” e, em Setúbal, “na amplidão da avenida consagrada a imortal cantora, desertas como nunca, ecoavam os aplausos ou os gritos de amargurada decepção; nas arcádias da terra do santo arcebispo ou em redor dos seus vetustos edifícios, rolavam os sons triunfais ou magoados”.

Para a maior parte das pessoas presentes nessa final inédita, o Estádio do Jamor funcionou como a sua autêntica casa. O favoritismo recaía, em cerca de 80%, na equipa do Vitória de Setúbal, uma vez que tinha praticado o melhor futebol da época. Contudo, qualquer destas equipas de “Província” poderia vencer o jogo, tal era a determinação que os seus jogadores demonstravam. Mas, no final, foi um verdadeiro “vira minhoto” que se viveu, quer em Lisboa, quer em Braga.
A apoteose foi atingida quando a equipa do Sporting de Braga regressou de Lisboa, no dia seguinte. No aeroporto do Porto e em todo o percurso até Braga, foram milhares as pessoas que saudaram a equipa vencedora da Taça de Portugal.

O mesmo acontecerá hoje, garantidamente, se a equipa do Sporting de Braga vencer a final da Taça de Portugal, desta vez com o F. C. Porto. Contudo, essa eventual vitória terá outro sabor, uma vez que, pela primeira vez, estará a assistir à final do jogo, um Presidente da República que é, publicamente, adepto do Sporting de Braga.

A um Presidente da República pede-se que seja neutro e que mantenha uma solenidade de Estado, mas ninguém pode impedir que tenha sentimentos e que os possa expressar publicamente. Marcelo Rebelo de Sousa já nos habituou, nestes dois meses e meio de mandato, que é humanista e emotivo. E como necessitávamos nós de um Presidente assim, de afetos!

Neste contexto quero recordar, aqui, de forma mais ou menos intimista, a primeira visita que Marcelo Rebelo de Sousa efetuou ao novo Estádio Municipal de Braga.
No dia 12 de março de 2004 estava marcada, na Feira do Livro de Braga, a apresentação, às 18 horas, de “Antologia de Bracarenses Ilustres”, um livro da minha autoria, e com Prefácio do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Como combinado, fui esperá-lo ao aeroporto do Porto, num voo que chegou cerca das 16 horas. Ora, como tínhamos duas horas até à apresentação do livro, combinei com o Professor uma visita ao Estádio Municipal de Braga, pois este tinha-me dito que ainda não o tinha visitado.

Quando lá chegamos, fomos recebidos pelo então dirigente do clube, meu amigo Artur Monteiro, que nos mostrou, ao pormenor, o novo Estádio. Tal era (é) o encanto do Estádio que nem nos apercebemos do tempo passar. Quando faltavam poucos minutos para as 18 horas, avisei o Professor Marcelo Rebelo de Sousa que teríamos que nos dirigir para o Parque de Exposições, uma vez que o auditório estava cheio. Mas o Professor, sempre com um sorriso nos lábios, e com um humor verdadeiramente contagiante, lá me ia sussurrando, dizendo que não haveria problema se chegássemos uns minutos atrasados. E lá continuámos a visita ao Estádio, dizendo o Professor, constantemente, que se tratava de um Estádio impressionante, dos melhores da Europa e do mundo. Reforçou, inclusive, que pela televisão dava para ver a beleza do Estádio, mas ao vivo afirmava que “A todos os níveis é uma obra impressionante. É impressionante como obra de engenharia, é impressionante como obra de arquitectura, é impressionante o seu enquadramento natural, é impressionante no seu todo e no mais pormenor” (“Correio do Minho”, de 14 se março de 2004).

Quando passavam mais de 45 minutos da hora marcada, lá convenci o Professor Marcelo Rebelo de Sousa da urgência de nos deslocarmos para o Parque de Exposições, para apresentação do livro, ao que finalmente acedeu, sempre com um sorriso e uma simpatia contagiante.
Neste contexto, não duvido que na final de hoje, o Presidente da República será novamente um autêntico “show man”. Falta apurar qual a equipa que será homenageada no final do jogo pelo agora Presidente da República: o F. C. Porto ou o Sporting de Braga.

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