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O preço d’As Andorinhas

Regresso às aulas e acesso ao ensino superior

O preço d’As Andorinhas

Escreve quem sabe

2021-11-22 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

Na semana passada, assisti a um maravilhoso concerto da Ana Moura, no pavilhão Multiusos, em Guimarães. O preço do bilhete custou trinta e cinco euros, por pessoa, na bancada mais adjacente ao palco. Embora já tenha presenciado outros eventos musicais desta natureza, apraz-me retornar a alguns espetáculos desta carismática cantora, nomeadamente quando os mesmos acontecem pelo Norte do nosso país. Durante os minutos que antecederam o início do espetáculo, reparei em vídeos publicitários relacionados com alguns dos próximos eventos daquele espaço. Entre eles, destacava-se o evento alusivo ao personagem Luccas Neto.
Depois de terminado o espetáculo da cantora, cheguei a casa muito bem-disposto e relaxado. Rapidamente adormeci a trautear as suas melodias. No dia seguinte, decidi pesquisar o preço do bilhete para o evento do artista infantil, exatamente para a mesma bancada onde me situava no dia anterior. O preço custava cinquenta euros, um valor acima do preço pago pelo espetáculo da fadista. Curiosamente, reparei que a bancava estava já esgotada para a data selecionada.

Há alguns uns anos, participei num projeto em terras nórdicas, bem no centro de Helsínquia. Certo dia, os colaboradores da empresa começaram a debater estratégias de preço e a preparar o mais apetecido evento promocional denominado por “Dias Loucos”. Para quem desconhece, durante esta semana, alguns produtos são vendidos muito abaixo do seu preço regular. Daí que as enchentes nas lojas sejam uma curiosa constante, com fascinados consumidores ziguezagueando com enormes sacos amarelos pendurados no ombro, na esperança de os encher com autênticas bagatelas. Durante este período, diversos colaboradores da empresa com funções centrais, tornam-se elementos ativos das lojas, contribuindo também eles para a eficiência das operações, numa importantíssima semana para a organização.

No final desta semana “louca”, ficou bem evidente a importância do tema “preço” e do retorno resultante das estratégias de preço aplicadas. Notou-se uma forte relação entre a temporária diminuição dos preços de bastantes produtos e o exponencial aumento do tráfego de loja e das vendas. Não tão menos curioso, verificou-se um paralelo crescimento de vendas de alguns produtos cujo preço até aumentou no mesmo período. Os resultados da variabilidade do preço tiveram tanto de surpreendente como de paradoxal. Em alguns casos, as vendas dos produtos mais caros e sem qualquer promoção ou diferenciador valor, também se alavancaram substancialmente.
Se para determinadas pessoas as estratégias de precificação são uma arte, para outras traduz-se numa complexa e abstrata ciência. Olhando para o caso da fadista e do autor infantil, por exemplo e não querendo naturalmente ofender ninguém, não encontro maior valor no artista, pensando na diferença de preço do evento, relativamente à nossa cantora. Como esta história de valores tem muito que se lhe diga, quero apenas acreditar que um dia daremos mais atenção e valor à nossa cultura, às nossas raízes e aos nossos grandes artistas, enchendo as salas dos seus espetáculos, também com as nossas crianças. Por agora, quero continuar a escutar «As Andorinhas» e com elas voar daqui para fora.

*com JMS

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