Correio do Minho

Braga,

O prazo de validade da amizade

Patologia respiratória no idoso

Escreve quem sabe

2015-10-11 às 06h00

Joana Silva

A “ vida é complicada” lê-se e escuta-se, cada vez mais com frequência. Há quem defenda que a vida tem o seu encanto e beleza e os problemas que surgem preparam-nos para a “próxima lição”. Não obstante, não conseguem compreender todos aqueles que em modo permanentemente tem o “complicometro” em “red line”. Há por outro lado os que afirmam que falar é “bonito” das vicissitudes da vida, mas viver e sentir na pele é diferente. Ao contrário do que se possa pensar somos mais emocionais do que racionais.

Mesmo aqueles que se auto definem numa vertente vivencial mais racional, do “Eu aguento tudo.”, “Nada me afeta.”, “Chorar é para os fracos.”, também se entristecem mas não o mostram utilizando assim uma espécie de máscara social. Existe uma expressão popular que passou de geração em geração “A família não se escolhe, já os amigos sim”.Dizem também que já não há amigos(as) como antigamente e que estes se podem “contar pelos dedos de uma mão”.

É certo que os valores morais estão diferentes… se “olhar com olhos de ver” para a sociedade em que se vive que são raras as pessoas que se preocupam genuinamente com o outro, sem outros objetivos ou fins. Importa referir que a verdadeira amizade também tem as suas fases. Não se pauta pela conivência emocional, é pela divergência de opiniões, pelas diferenças de ambas as partes envolvidas que complementam e fortalecem o vínculo da amizade. Atualmente as pessoas parecem estar interiormente frias e com olhos direcionados para o “seu próprio umbigo”.

Quem se pauta por uma amizade verdadeira também poderá ser inevitável em determinado momento da sua vida se interrogar introspetivamente, “Fui um amigo leal e fez-me isto…”, podendo ceder quiça a um comportamento posterior, refletido ou não, de a ter a mesma atitude ou forma de estar numa espécie de jogo “Dá cá, toma lá também”. Por esta volatilidade de valores morais íntegros, a descrença e a desconfiança nas relações interpessoais ganha cada vez mais lugar.

Quer-se com isto dizer que, e tomando como analogia um simples iogurte, a amizade hoje parece ter prazo de validade. Desengane-se quem afirme que quando se perde uma amizade não se sofre. Nesse prisma não seria verdadeiramente uma amizade. Quando há um “divórcio” na amizade, por norma é fruto de conflitos que provem de inequívocos, desrespeito ou violação de sentimentos, deslealdade ou traição, competição desmedida por algo etc., não se pode assim designar como tal. Este tipo de vínculo emocional só canaliza más energias e provoca a curto ou a longo prazo desgaste para as pessoas envolventes. Por vezes, é necessário romper laços. Há ganhos e perdas.

Quanto aos ganhos ficam boas memórias dos momentos de felicidade e de partilha. Tal como a Primavera, também a amizade irrompe quando menos se espera depois de um Inverno rigoroso. A bondade, a boa-fé cabem em todo o lugar mesmo realizada a alguém que procedeu incorretamente para connosco. Isto porque, boas ações ficam registadas na memória por mais anos que possam passar, e desarmam todos aqueles que um dia “pagaram” com más ações o bem que “se lhe fez”.

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