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O poder do desporto na promoção da sustentabilidade

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O poder do desporto na promoção da sustentabilidade

Ideias

2019-05-12 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Este foi o tema de uma tertúlia organizada pela FADU Portugal - Federação Académica do Desporto Universitário, pela AAUM - Associação Académica da Universidade do Minho e pelos SASUM - Serviços de Acção Social da Universidade do Minho, inserida no programa das fases finais dos CNU - Campeonatos Nacionais Universitários Guimarães 2019, que decorreu na Biblioteca do campus de Azurém. Um certame que contou com a participação de mais de 1800 atletas, em 8 modalidades (atletismo de estrada, andebol, basquetebol, futsal, futebol, hóquei em patins, rugby e voleibol), com 242 jogos disputados de onde foram apurados 15 campeões nacionais. Os resultados desportivos foram bons, bem conquistados e de forma equilibrada, e a competição ficou marcada pelo “fair play”.
As fases finais dos CNU são o maior evento do desporto universitário. A organização este ano assumiu, esta festa do desporto, como um “grande campeonato da sustentabilidade onde todos ganham”. Uma aposta no desporto como instrumento gerador de dinâmicas que integram vontades, potenciam mudanças e criam grandes impactos no ambiente cultural, social e ambiental. Uma visão que norteou o a moderação do Presidente da AAUM, Nuno Reis, e um lema que sintetizou a unanimidade das intervenções do Vice-reitor, Paulo Cruz, da representante do Laboratório da Paisagem, Susana Falcão, e da minha experiência pessoal, na área do desporto, da juventude e da ação social no ensino superior, no contexto da integração académica dos estudantes.
Uma aposta da Universidade do Minho, expressa nos impactos na vivência académica dos estudantes, e em toda a comunidade envolvente. Desígnio que se consubstancia nas preocupações com o futuro, que estão previstas nas linhas de orientação estratégica das mais diversas atividades e nos projetos desenvolvidos pelas suas unidades orgânicas. Um conceito de desenvolvimento sustentável que está presente, de uma forma muito vincada, nas ações diárias e nos programas de longo prazo. Uma constelação de objetivos que estão a ser concretizadas através dos planos estratégicos de sustentabilidade, com especial destaque para os Serviços de Ação Social, onde estão previstos os processos de crescimento integrado, de melhoria da qualidade de vida, de bem-estar dos estudantes e da salvaguarda das expectativas futuras, decorrentes da sua relação com o meio ambiente.
As alterações climáticas são uma realidade, e a tendência aponta para que os seus efeitos nefastos, vão ser maiores no futuro. Não temos planeta B, e é urgente a intensificação de medidas para inverter este caminho. No caso concreto das universidades, a mudança de hábitos, comportamentos e, sobretudo das mentalidades, devem ser uma aposta de responsabilidade partilhada pelos estudantes, pelos demais atores internos e externos à comunidade académica. Numa luta sem tréguas ao sedentarismo, e ao comodismo em relação à sustentabilidade, às questões de preservação do ambiente e à avaliação conscientes da nossa “pegada ecológica”, enquanto indicador de sustentabilidade ambiental para medir e gerir o uso dos recursos ao alcance de todos.
Durante os últimos anos, diversas organizações têm tentado medir e monitorizar a proximidade, através de métricas e indicadores de sustentabilidade, na perspetiva de “o Desenvolvimento Sustentável é o progresso que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações satisfazerem as suas próprias necessidades”, um conceito do Relatório Brundtland, elaborado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas. Um documento que abrange várias áreas, assentando essencialmente num ponto de equilíbrio entre o crescimento económico, equidade social, a proteção do ambiente e a diversidade cultural. A crise ambiental pressupõe uma nova visão de mundo, e uma mudança de valores. Um desafio complexo de crescer sem destruir, progredir sem poluir, avançar sem degradar.
A aposta no desporto representa, neste contexto, um impacto social direto, na melhoria da qualidade de vida, nas dinâmicas racionalização financeira e na preservação do ambiente, uma vez que pessoas que praticam desporto têm tendência para adotar estilos de vida mais sustentáveis, dando prioridade por exemplo, a formas de mobilidade com emissões carbónicas mais reduzidas. Os projetos e programas e ação desportiva e os eventos de competição desportiva, fora dos contextos convencionais, começam a ser cada vez diversificados. Esta tertúlia mostrou que o desporto serve muito bem a sustentabilidade, e pode ajudar a mudar hábitos, pode promover a mudança de mentalidades e a postura cultural, porque assenta em valores. Uma ética que contribui para uma saudável convivência, e potencia a resolução de problemas, na perspetiva de muitos estudiosos.
0s jovens estão cada vez mais conscientes da importância do desporto e da importância da adoção de estilos de vida mais sustentáveis e querem assumir um papel de embaixadores destas práticas. Uma dinâmica que decorre da necessidade de uma agenda transversal e holística é fundamental para que se possa construir um futuro mais sustentável no qual a prática desportiva seja um pilar de desenvolvimento. A complexidade do tema, é um exemplo da participação ativa dos jovens na criação de condições de prática desportiva com todos e para todos, e pressupõe uma visão holística, integrada e intersectorial.
O caminho é reforçar esta aposta, com particular incidência na juventude, e na sua condição social de geometria variável, decorrente dos contextos e das respetivas vivências culturais, sociais, educativas e económicas. Sendo as universidades, instituições constituídas maioritariamente por jovens, empenhados em participar neste processo exigente e complexo, têm um papel preponderante no futuro da sustentabilidade, ao nível da investigação, da mudança de mentalidades e ao nível da promoção da atividade física, com base nas dinâmicas de integração académica e de proximidade inteligente dos Serviços de Ação Social e do Associativismo Estudantil, através do aumento da prática desportiva e da organização de eventos, como é o caso dos Campeonatos Nacionais Universitários.

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