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O poder de compra em Portugal continua abaixo da média da União Europeia

O maior desafio dos 50 anos de Democracia

O poder de compra em Portugal continua abaixo da média da União Europeia

Ideias

2024-01-27 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

O poder de compra de um país mede-se pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita expresso em paridades de poder de compra (PPC), ou seja, o PIB per capita descontado do diferencial de inflação entre um país e a média da União Europeia (UE). O PIB per capita (PPC) traduz um bom indicador do nível de atividade económica permitindo mesmo efetuar comparações entre os vários Estados-membros da UE. De acordo com um informe recente do INE, em 2022 o PIB per capita (PPC) em Portugal, cifrou-se em 78,7% da média da UE (UE = 100), um valor superior em apenas 3,4% ao registado em 2021 (75,3%). Porém, Portugal tem vindo a apresentar ao longo dos anos valores de poder de compra abaixo da média da UE! Contudo, Portugal mantém em 2022 a mesma posição de 2021, situando-se como o 20º país entre os 27 Estados-membros da UE com um PIB per capita (PPC) mais baixo. Também, situa-se no 16.º da Zona Euro.
A estabilidade da posição de Portugal face à UE fica a dever-se, sobretudo, ao facto de o PIB per capita ter crescido 12,1% em 2022, em resultado de um aumento nominal do PIB de 12,2% e de a população portuguesa em 2022 ter sido marginalmente superior ao do ano anterior. Por sua vez, o PIB per capita (PPC) de Portugal foi inferior a países como Lituânia (89,2%), Espanha (85,5%) e Estónia (85,0%), embora, à frente da Letónia (72,6%), Eslováquia (71,0%) e Grécia (67,2%). Assim, em 2022 vários países da Europa de Leste superaram Portugal em termos de poder de compra. O Luxemburgo (256,3%) foi o Estado-membro que liderou, mais uma vez, o ranking do PIB per capita (PPC) da UE. Ao invés, o pior Estado-membro continuou a ser a Bulgária (62,1%). Enfim, em média, o poder de compra de Portugal em 2022 foi 21,3% inferior em relação à média da UE!
Segundo o INE, o indicador Despesa de Consumo Individual per capita (DCI) em paridades de poder de compra “DCI per capita (PPC)”, constitui um indicador mais fino para entender o nível de bem-estar de um país. O DCI per capita (PPC) em Portugal em 2022 foi mais elevado de 2,6% face ao ano anterior, passando de 84,4% em 2021 para 87,0% em 2022. Quer dizer, Portugal permaneceu divergente face à média da UE e à média da Zona Euro, ocupando as posições 15ª da UE e a 12.ª da Zona Euro, mais duas posições (Zona Euro) ou três posições (UE) em relação a 2021.
Entre os fatores justificativos deste cenário desfavorável para Portugal no contexto da UE (e da Zona Euro) quer do nível de poder de compra (ou nível de atividade económica) “PIB per capita (PPC), quer do nível de bem-estar “DCI per capita (PPC)”, o que tem acontecido sucessivamente desde a adesão de Portugal à UE em 1986, destacam-se:
(a) a existência de taxas de crescimento económico (do PIB) relativamente anémicas, em média, em torno de 1% anual;
(b) a baixa competitividade/produtividade da economia portuguesa, em média, cerca de 60% da média da UE;
(c) o não aproveitamento do potencial dos fundos europeus;
(d) as diversas governações portuguesas não tem vindo em geral a adotar políticas públicas adequadas em termos de um crescimento económico sustentado e de uma distribuição equitativa dos rendimentos.
Ora, como poderá Portugal convergir com à média da UE (e da Zona Euro) quanto ao nível de poder de compra ou nível de atividade económica “PIB per capita em PPC” e quanto ao nível de bem-estar “DCI per capita em PPC”?
Através, entre outras, da implementação de políticas económicas eficazes, tais como:
(1) Elevação da competitividade/produtividade económica, permitindo obter ganhos de competências dos trabalhadores e das empresas, via elevação do nível de escolaridade e qualificação profissional;
(2) Combate a descapitalização económica por meio da intensificação do rácio “stock” de capital fixo (edifícios, maquinaria, instrumentos de trabalho, etc.) por hora de trabalho;
(3) Realização e criação de incentivos promotores de mais investimento público e privado em alta tecnológica, inovação e inteligência artificial (IA) e, assim, induzir a um maior rácio “stock” de capital técnico por hora de trabalho. Observe-se, que o rácio de intensidade de capital em Portugal foi de apenas 51,2% em 2020 (contra 43,6% em 2019) face à média da UE=100.
Concluindo, em Portugal, a convergência do nível de poder de compra ou nível de atividade económica “PIB per capita em PPC” e do nível de bem-estar “DCI per capita em PPC” exige vontade política da governação portuguesa objetivando a melhoria da competitividade/produtividade, o que se obtém com maior nível de escolaridade e qualificação profissional de trabalhadores e empresários, com mais investimento em capital fixo, nomeadamente no que se refere ao investimento público dado os seus efeitos de arrastamento sobre toda a economia (no consumo das famílias e no próprio investimento privado).

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