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O?plano de vacinação e o retorno a uma nova normalidade

Poder de Compra e Bem-Estar das Famílias Portuguesas mantém-se abaixo da média europeia!

O?plano de vacinação e o retorno a uma nova normalidade

Escreve quem sabe

2021-01-10 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

O ano 2020 está a ser considerado, em muitos quadrantes, como o ano da ciência, pela dinâmica de investigação científica desenvolvida, para combater o efeito devastador do COVID-19. Um envolvimento inigualável, da comunidade científica nacional e internacional, pelo investimento, pelo empenho e pela eficácia, levando Durão Barroso na qualidade de Presidente do Conselho da Aliança Global para as Vacinas, a considerar que “a ciência conseguiu compensar os erros da organização pública”, no período que estamos a viver.
Um momento muito delicado, marcado pela irracionalidade e por uma incerteza sem paralelo. Enfrentamos grandes dificuldades, resultantes de uma pandemia, que extravasou o domínio da soberania nacional, desarticulou o planeta, desorientou a sociedade e destruiu a economia. Uma crise económica, que comparada com a crise financeira da dívida soberana, que também foi global, assume contornos de maior gravidade, porque está a pôr em causa a vida ou a morte das pessoas, de forma descontrolada.

Este novo ano está a iniciar repleto de exigências, mas com enormes expectativas. No primeiro semestre, Portugal vai liderar os destinos dos 27 Estados da EU, profundamente marcada pelos efeitos da pandemia. Os seus eixos estratégicos foram definidos com a participação de todos os quadrantes políticos, apesar de algumas divergências de propósitos com as opções do governo. Uma diferença sustentada, pelos receios da tentação de propaganda, pela desconfiança em relação à nomeação de altos dignitários da representação do nosso país nas instituições europeias, e pela forma com vai ser gerida a “bazuca” europeia.
Estes são os assuntos, que vão estar no topo das prioridades do debate político. No entanto, a aplicação do programa de vacinação é, seguramente, o problema que neste momento mais preocupa os cidadãos, as organizações sociais, as escolas e os profissionais de saúde. Uma preocupação envolta em muitas dúvidas, que imperam na surdina dos serviços de saúde, dos hospitais, dos serviços de acolhimento de idosos. Apreensão com o tempo de pelo menos três meses, previsto para que a redução sistémica e permanente do número de internamentos, em cuidados intensivos e de mortes por COVID-19, seja efetivamente visível.

Ainda há muitas incertezas em relação à distribuição das vacinas. O plano de vacinação é um trabalho, que está a ser feito em tempo recorde. Esta é a visão dos profissionais e dos cientistas. Uma vez que só em abril deverá estar concluída a primeira fase de vacinação, que integra os utentes dos lares, as pessoas com mais de 50 anos com doenças de risco que, entretanto, começaram a ser vacinados. Só haverá uma redução significativa do número de novos casos, com uma percentagem elevada da população vacinada e, quando as pessoas com mais de 65 anos estiverem protegidas. No entanto, estando assegurados os meios técnicos e profissionais, que dão sinais de um desgaste, cada vez mais evidente, o processo tem vindo a evidenciar um agravamento nunca antes registado. Sendo mais um problema, para ser tratado com muita delicadeza e atenção.

Os hospitais estão longe de descomprimir, da pressão a que têm estado sujeitos. Um cenário exigente, que poderá ser aliviado apenas no verão, quando estiver a decorrer a segunda fase da vacinação. A ciência não poderá responder de forma eficaz, se os erros administrativos continuarem a ser o resultado mais visível, das decisões políticas e da incapacidade organizativa. Fatores que não abrem mão dos preconceitos ideológicos de não estenderem a vacinação às farmácias, ao sector privado e social, para que não seja necessário no futuro, andarmos a mendigar uma vacina. Não querendo empolar uma visão pessimista, manda a serenidade e a ponderação, que se reconheça e assuma uma posição realista.

Estamos a uma distância muito significativa de sermos convocados pelas autoridades, para nos vacinarmos em massa. Temos que ter uma grande fé na ciência e na comunidade dos profissionais de saúde. Os exemplos positivos e os sucessos são muito vastos. Nascemos no tempo em que já havia anestesia. Os antibióticos salvaram muita gente, a esperança de vida das sucessivas gerações e a mortalidade infantil tem vindo a descer drasticamente, ano após ano. Um palmarés que conta no seu portefólio, com a imunização para 17 doenças infeciosas.
Apesar das dificuldades, esta é mais são lições a retirar desta crise em que estamos mergulhados. Neste contexto, a aplicação de um plano eficaz de combate à pandemia com acesso generalizado à vacina, é o caminho para uma efetiva e segura recuperação económica. Sendo com toda a certeza uma questão decisiva, porque sem um bom plano de vacinação, não haverá retorno a uma “nova” forma de normalidade.

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