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O plano de recuperação e resiliência e “a nova normalidade”

A resolução de conflitos de consumo através da Internet (RLL)

O plano de recuperação e resiliência e “a nova normalidade”

Ideias

2021-04-18 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Vamos iniciar uma nova etapa de desconfinamento, de alcance muito mais arrojado. Um passo importante na evolução da atual situação de isolamento social, de paralisação económica e institucional. Uma situação que o país tem enfrentado com serenidade e com uma disciplina, intermitente, em relação medidas preventivas, no que diz respeito ao distanciamento social e, sobretudo, em relação ao uso da máscara e às medidas de higienização dos espaços públicos. O entusiasmo é visível, nas pessoas e nos agentes económicos, com especial destaque para os comerciantes de todas os ramos, aliado à enorme expetativa na aceleração do plano de vacinação.

Os riscos de aprofundamento da “pandemia social”, são cada vez mais evidentes. A avaliar pelo agravamento da pobreza estrutural visível, apesar da intervenção ativa e meritória do setor social e da solidariedade dos cidadãos. O crescimento da “nova pobreza”, que, entretanto, se vai instalando com uma intensidade crescente, e com a força de querer instalar-se de forma duradoura, com as insolvências, o aumento do desemprego e do trabalho precário. Uma realidade social e económica que estão a potenciar o aparecimento dos “working poor”, que têm salários abaixo de uma linha de rendimento pessoal e familiar, que os mantêm numa situação de pobreza escondida.
Uma dinâmica que se reproduz através dos empregos precários, que vão paulatinamente alastrando por todos os setores de atividade económica. Uma situação negativa, que poderá ser agravada pela não adequação dos estímulos, que tardam em chegar aos destinatários certos, e que exigem uma sensibilização para uma consciencialização social de toda a sociedade para este problema que é cada vez mais estruturante. Uma dinâmica, que exige uma maior agilidade em relação à paralisia funcional que as empresas, a economia social e o Estado estão a enfrentar, e que poderá levar-nos a entrar numa “crise social sem precedentes”.

Estamos a entrar numa nova fase de combate aos efeitos da pandemia, que exige um grande esforço de desburocratização. A sua sustentabilidade exige uma grande coordenação política, apesar da prometida criação de uma Comissão Nacional de Acompanhamento. As verbas não estão a chegar no tempo certo, muitos negócios podem não resistir, e milhares de postos de trabalho podem ser destruídos. Os estudos e as estatísticas anunciam estimativas preocupantes, que apontam no sentido de uma em cada quatro empresas em Portugal, não tem capacidade financeira para resistir à crise.

O atual estado pandémico confrontou-nos as com uma nova realidade, para qual grande parte não estamos preparados. Os longos e sucessivos confinamentos provocaram constrangimentos na nossa vida pessoal e sobretudo nas organizações, obrigando-as a procurar formas alternativas para manter a sua atividade, quer reinventado os seus modelos de negócio, quer redesenhando os seus processos, quer apostando em novas tecnologias para suporte aos seus processos de negócio, colaboração e trabalho à distância.
A pandemia teve um impacto fortíssimo, com sequelas imprevisíveis. Apesar de tudo, as organizações foram capazes de se adaptar a vários níveis, desde a forma como estão a gerir o seu negócio, até à forma como racionalizaram as suas instalações e otimizaram os seus recursos humanos. Revelando e acentuando, no entanto, um conjunto de fragilidades nacionais e globais, que reclamam respostas a um vasto conjunto de bloqueios estruturais e de novos desafios.

Uma nova realidade que impõe uma resiliência reforçada da sociedade, de forma a travar o enfraquecimento dos pilares estruturantes do nosso sistema social, económico e político. Direcionando as respostas imediatas de emergência, para estabilização do sistema sanitário e económico, para as situações de pobreza e para salvaguarda e apoio às empresas, aos pequenos negócios de proximidade e à economia social, de forma a estancar a tendência crescente de desemprego, de instabilidade social e dos novos tipos de pobreza.
Neste sentido, e de acordo com a última versão do Plano de Recuperação e Resiliência, “Recuperar Portugal 2021 – 2026”, apresentado esta semana pelo Governo, reforço da resiliência económica, social e territorial do país assume, no atual contexto, particular relevância. Enquanto resposta de primeira linha, da dinâmica de estabilização económica e social, de transição para uma “nova normalidade”, empenhada em fazer face aos efeitos da crise pandémica, e promover a recuperação da economia, para que nossa sociedade esteja mais bem preparada para o ambiente de imprevisibilidade que estamos a viver, e para os choques do futuro, independentemente da sua natureza.

Um plano centrado, no médio e longo prazo, nos aspetos que reclamam uma recuperação e um reforço dos sistemas económicos, sociais, territoriais e institucionais de incidência estrutural, nas suas três dimensões estratégicas: a resiliência, a transição climática e a transição digital. Estruturado, de acordo com o propósito do mecanismo de recuperação e resiliência, no âmbito do Next Generation EU, implementado para apoiar investimentos e reformas, para capacitar as economias e as sociedades dos Estados-Membros, para este “admirável mundo novo”.

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