Correio do Minho

Braga, sábado

O pirata traidor

Investir em obrigações: o que devo saber?

Conta o Leitor

2012-08-08 às 06h00

Escritor

Por Paulo Taleixa

Navegava, por todos os mares, um navio de piratas de que todos os navios tinham medo. Desde os grandes galeões espanhóis, os aguerridos marinheiros ingleses, aos bem armados barcos portugueses.
Mas o nosso barco pirata era o mais bem armado, os marinheiros os mais destemidos, e seu capitão um homem muito inteligente que conhecia todos os mares, oceanos, terras, ilhas… Nada escapava ao Pirata da Espada Negra. Mas era um pirata criminoso, que era cavalheiro. Se se rendiam os barcos inimigos, não lhes fazia mal, roubava o que tinha a roubar, não estragava, e bebia e comia com os vencidos com cavalheirismo. Já lhe tinham posto a alcunha de “Pirata da Espada Negra Cavalheiro”. Quem não gostava muito destas atitudes do capitão era o seu imediato. Mas tinha medo de lhe chamar a atenção, temendo represálias. Pois as águas andavam infestadas de tubarões, e andar pela prancha até cair pela borda fora não seria boa ideia. Era o que acontecia aos marinheiros que se portavam mal.
Um dia, o capitão apanhou uma doença do mar que se chama escorbuto. Mas como era forte, resistiu e pediu para sair na próxima ilha habitável amiga, para descansar. O imediato iria tomar o comando, e retomar a actividade até ele se recompor.
Assim foi. O imediato, Dente de Tubarão, prometeu trazer os saques e ser um valente.
- Mas moderação, Dente de Tubarão!
- Estão tomadas medidas para isso, meu capitão - disse, com um olhar vitorioso, dando um cálice de vinho ao capitão, que logo tombou para o lado, adormecendo.
O imediato, agora capitão sedento de sangue e vitórias e conquistas, logo se livrou dos homens de confiança do antigo capitão. Recrutando novos marinheiros, com cara de maus e instinto ainda pior. Atacavam tudo que se mexia. Saqueavam todos os barcos, dizimavam os ocupantes, vendendo-os como escravos. Depois queimavam os navios. A sua fúria e malvadez chegaram aos quantos andavam no mar e na terra. Até que chegou ao capitão da Espada Negra, que se tinha recuperado.
Os reis dos mais importantes países souberam o que se passava, e tiveram uma reunião com ele. Disponibilizaram um barco bem armado. Ele escolheu os homens da confiança dele, e levava com ele a arma mais importante, a confiança em si mesmo. Iria ser a batalha mais importante da sua vida. Mas os reis puseram a sua condição, que logo o pirata aceitou. Iria abandonar a pirataria, pois iria ficar cheio de ouro, jóias, e casaria com uma jovem fidalga. E seria ele que transportaria informações, de vez em quando, aos reinados em paz, através do mar.
Assim se fez ao mar, e passados alguns dias o pirata malvado avistou um barco e logo atacou, o que o Pirata da Espada Negra já contava. A batalha foi tão grande, que logo os adversários tentaram fugir, mas o Pirata da Espada Negra não deixou, destruindo tudo. Voltando com a bandeira do seu antigo e querido barco, agora afundado.
A ganância do seu imediato tinha levado os mares ao terror extremo. Mas a pirataria continuou, agora vinda de outros navios. Só que agora era defendido o mar pelo comandante e almirante Dom Cavalheiro. Isto, de pirata a defensor do mar, é um pouco difícil. Mas se uma pessoa se portar bem, garanto que tem o perdão das pessoas de bem.

Fim.

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