Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O peso excessivo das mochilas dos nossos alunos

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Voz às Escolas

2015-11-09 às 06h00

Maria da Graça Moura

Mesmo sabendo que é este um assunto por diversas vezes debatido, sobre o qual já muito se escreveu e editou, parece-me não ser demais insistir no mesmo tema.
A Direção Geral do Consumidor divulgou orientações e conselhos, explicando que o peso da mochila não deve ultrapassar dez por cento do peso do aluno e que este só deve carregar o material necessário. Mas como podem, aluno e encarregado de educação, definir o que é necessário?

Cada professor, por querer que na sua aula o aluno tenha tudo o que faz falta para adquirir e consolidar os conhecimentos da disciplina, pretende que todos tenham na sua posse os livros, as fichas de atividades, os cadernos,… Se multiplicarmos por três, quatro ou cinco, disciplinas que poderão ser lecionadas no mesmo dia, o peso atinge com facilidade os cinco quilos, em alunos com menos de quarenta quilos. Foram realizados estudos em algumas turmas do Agrupamento André Soares, com alunos do terceiro e do sexto ano, e confirmou-se.

Registando apenas os máximos, carregavam uma mochila de cinco quilos, alunos com vinte, vinte e seis, vinte e sete, trinta e um e trinta e seis quilos de peso. Sabemos também que, muitas vezes, os mais novos gostam de carregar os seus jogos preferidos e que o peso da mochila vazia é também muito elevado, pelos extras que a modernizam. Se queremos proteger os nossos estudantes de futuras lesões na coluna vertebral, quantas vezes associadas ao peso, má colocação e má postura da carga diária que transportam para a escola, devemos todos colaborar.

As editoras, elaborando e produzindo livros mais leves; os encarregados de educação, analisando o conteúdo das mochilas e aconselhando os seus educandos que devem levar apenas o material indispensável para as aulas; os professores, compreendendo este problema e contribuindo para o minimizar; e, claro, o aluno, consciencializando-se e responsabilizando-se. Nem sempre os horários distribuem as disciplinas da forma ideal, por constrangimentos que variam de escola para escola.

Os professores devem ter conhecimento da carga letiva dos alunos, dia a dia, e aconselhá-los a usarem apenas os livros extremamente necessários. Sabemos que há escolas onde os mais pequeninos deixam os livros nas instalações escolares, mas estes são necessários aos pais que gostam de acompanhar os seus filhos nas aquisições de conhecimentos.

Que outros transportam a carga em mochilas de rodinhas, que também pode trazer inconvenientes para a coluna, caso a sua condução não seja feita da forma correta, e que, à medida que vão crescendo, os nossos jovens deixam de achar engraçada esta forma de carregar os livros. Que há pais que acompanham os seus filhos até à porta da escola para os aliviarem do peso, sobrecarregando-se a eles próprios. Enfim, todos sabemos o que deve e o que não deve ser feito, mas continuamos a constatar que o peso que os nossos filhos carregam diariamente é exagerado, e que é da nossa responsabilidade a má herança que lhes deixamos!

À medida que os jovens crescem, o seu peso aumenta, e o dos livros diminui. Curiosamente, na entrada para a Universidade, um bloco de notas e uma esferográfica parece ser muito usual! Caso para dizer que o peso das mochilas é inversamente proporcional à idade!
Por isso nunca será demais insistir, sensibilizando todos os envolvidos na formação, educação e promoção da saúde dos mais novos.

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