Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

O pêndulo oscila para Oriente

Comunidades de aprendizagem

O pêndulo oscila para Oriente

Ideias

2020-04-17 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Segundo alguns historiadores o pêndulo da história oscilou para Oriente até ao século XVl.
Depois, seguiram-se mais de cinco séculos de domínio cultural, científico e militar do Ocidente. Agora, volta a oscilar para Oriente.
Casas-Zamora, Secretário-geral do Instituto Internacional para a Democracia e Apoio Eleitoral (IDEIA), com sede em Estocolmo diz que a crise da pandemia será o fim do século americano. A crise tem mostrado a fragilidade do sistema americano que não consegue travar o impacto da pandemia. E a liderança mundial deixará uma democracia liberal para passar a ser uma ditadura, padrões ocidentais.
A observação é interessante, mas reflete uma visão filtrada pelo ponto de vista ocidental, que vê na hegemonia americana e na democracia liberal o fim da história.

E a história pode ser diferente da contada por Max Weber que via no Confucionismo e no Taoismo impedimentos à modernização. Para Max Weber, o aparecimento do capitalismo estava intrinsecamente ligado à ética protestante.
E, todavia, o desenvolvimento económico da China, bem como dos países do leste da Ásia demonstraram a falsidade da tese de Max Weber.
Em artigo muito recente, de 2020, Wolfang Drechsler faz uma leitura de Max Weber, usando fontes chinesas, em que contradiz a sua tese. Assim, segundo o autor, na China, como nos restantes países asiáticos de filosofia confuciana, no centro do sistema político está o conceito de “mandato do Céu” que significa que o imperador deve governar, mas deve governar bem, procurando a paz e o alimento para o seu povo. Este conceito aplica-se não só ao imperador, com à Administração Pública.

O governo chinês apresenta o confucionismo como alternativa ao neoliberalismo do Ocidente. O verdadeiro teste ao tipo de sistema político traduz-se em como se consegue uma boa governação, julgada como tal pelo povo desse país, não existindo a dicotomia Democracia/ autocracia, mas bom governo/mau governo. E, no que respeita ao Ocidente, o capitalismo industrial criou armas de destruição maciça, bem como a deterioração do ambiente.

A incapacidade dos USA em lidar com a pandemia porque não tem um serviço nacional de saúde, estando a assistência dependente das seguradoras, mostrou aos olhos da comunidade internacional a falência do sistema. Acresce que os americanos e seu presidente têm tido um comportamento de rapinagem, ao apoderarem-se de medicamentos e outros instrumentos de combate ao vírus. Perderam-se os valores tradicionalmente atribuídos aos americanos. A sua hegemonia mundial depende agora apenas das armas, o que é muito pouco, como se tem demonstrado com a pandemia. Podemos estar muito perto de um mundo diferente daquele que o Ocidente criou, não necessariamente pior.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho