Correio do Minho

Braga, terça-feira

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O património como recurso para o desenvolvimento económico

Granjear futuro

Escreve quem sabe

2013-11-29 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

É da responsabilidade das sociedades tentar garantir o máximo respeito pelo seu património histórico e cultural, que, pelo seu valor intrínseco, é considerado fundamental para a permanência e a identidade da cultura de um povo, preservando-o, reabilitando-o, conferindo-lhe novos usos ou difundindo-o para enaltecer e perpetuar as suas tradições.
É uma herança do passado que devemos honrar, usufruir com respeito pela memória e transmitir para as gerações vindouras.

O aproveitamento do património como um recurso para o desenvolvimento económico afigura-se como uma excelente opção de desenvolvimento de uma cidade, quer ao nível da sua promoção quer ao nível da dinamização dos negócios dos seus agentes económicos.
Os negócios ligados ao comércio, aos serviços e ao turismo precisam, sobretudo, de tráfego para serem sustentáveis. Em princípio, quanto mais pessoas estiverem a circular mais possibilidades se geram para se fazer negócio. Este é um fator crítico de sucesso nos centros comerciais como na rua.

Um dos problemas que os pequenos comerciantes enfrentam neste momento é exatamente este: a falta de clientes. Problema agravado pela diminuição de poder de compra da maior parte dos seus consumidores nos últimos 3 anos.
Daí que, a organização de eventos com raiz no património seja, porventura, umas das formas mais simples e usuais de colocar o património como recurso para o desenvolvimento económico, mas também das mais eficazes e lucrativas para atingir esse desiderato.

Braga, a este nível, possui oportunidades quase que infindáveis, tal é a riqueza e abundância dos recursos materiais e imateriais de que dispõe.
Os maiores eventos que a cidade promove anualmente têm, claramente, este cariz, nomeadamente as festividades da ‘Semana Santa’, o ‘S. João’ e a ‘Braga Romana’.

São eventos que, para além da sua dimensão social e cultural, ao nível da preservação de usos e costumes, da promoção de referências culturais identitárias ou da criação de um forte sentimento de pertença da comunidade, têm uma dimensão económica fundamental, enquanto geradores de oportunidades de dinamização da atividade económica.

Porém, é necessário continuar a melhorar e a inovar na organização destes eventos. É essencial “modernizar a memória”, criar novas referências culturais, assegurar um maior envolvimento da comunidade, residentes e empresários, procurar uma maior articulação das organizações dos eventos com as forças vivas da cidade, no sentido de encontrarem sinergias que permitam amplificar o impacto mediático, social e económicos dos eventos.

As Festas de S. João, por exemplo, têm vindo a perder ao longo dos últimos anos alguma capacidade de atração, movimentam, sobretudo, pessoas do concelho, e registam uma tendência de queda continuada no impacto que tem na atividade económica. Parece um evento, claramente, a necessitar de um novo impulso, de modernizar o conceito das festividades, introduzindo inovações, como é o caso das ‘Noivas de São Longuinho’, que a ACB propõe já para a edição de 2014.

A ‘Braga Romana’, por seu lado, é um evento que se encontra ainda em fase de consolidação e de crescimento, e com um potencial de internacionalização muito relevante. Conseguiu um notável envolvimento da comunidade, excetuando os setores do comércio e dos serviços que ainda não têm uma interação muito significativa com a iniciativa. Parece necessário que se compatibilize a localização das tendas romanas que se instalam pelas ruas da cidade, com respeito pelas montras dos comerciantes que durante todo o ano aí estão instalados, de modo a que estas não fiquem escondidas por detrás das tendas.

A ‘Semana Santa’ é, sem dúvidas, o principal evento da cidade. O que maior projeção mediática tem e que mais impacto gera na atividade económica, seja no comércio, na restauração, nos estabelecimentos de bebidas ou no alojamento. Em termos de negócio, a quantidade e o volume de transações gerados nesta época é muito similar ao Natal.

A ACB tem vindo a defender a ideia que se estenda a duração deste evento, de forma a que o retorno que gera seja ainda mais significativo, através do alargamento das festividades também à celebração da ressurreição de Cristo com um programa de iniciativas que comemore a vida e a alegria após o Domingo de Páscoa.

No ano em que celebra os seus 150 anos ao serviço da comunidade empresarial e da cidade, a Associação Comercial ofereceu à cidade uma publicação sobre os seus principais recursos turísticos e culturais. Intitulada ‘Adoro Conhecer Braga’, esta obra identifica um conjunto de áreas diversas com grande potencial de dinamização económica, como a dos sabores ligados à gastronomia, dos sons da cidade, da arquitetura e do património construído, da herança histórica, das artes e ofícios tradicionais, da paisagem e do património natural, das personalidades, das lendas e tradições. Sejamos, agora, capazes de conjuntamente aproveitar as oportunidades que os nossos antepassados nos legaram.

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