Correio do Minho

Braga, segunda-feira

O Partido Socialista e a Troika

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2012-03-06 às 06h00

Hugo Soares

A credibilidade externa que Portugal vem recuperando, por força do cumprimento estrito do memorando da Troika e das sucessivas avaliações positivas, deve ser um sinal encorajador para todos. Se, por um lado, o País dá sinais claros de caminhar no sentido de equilibrar as contas públicas, por outro lado, iniciaram-se as reformas estruturais que vão ter impacto na nossa economia a médio prazo.

Há cerca de oito meses o PS, que governou em treze dos últimos quinze anos, anunciava a necessidade de Portugal pedir ajuda externa sob pena de o Estado deixar de pagar salários, de fechar hospitais, escolas e demais serviços públicos. Há oito meses o cenário de colapso era eminente. Hoje, o risco de Portugal não cumprir os seus compromissos é muito menor. Pelo meio ficou a negociação e assinatura do Memorando da Troika.

Para que nem os mais esquecidos se esqueçam convém lembrar que a negociação do Memorando foi feita pelo então Governo Sócrates e assinado - como garantia de cumprimento e comprometimento - pelos partidos do arco da Governação. Na altura, o PCP e o BE recusaram de imediato o cumprimento daquele Acordo preferindo, quiçá, que o País falisse a terem que “pagar” o ónus das medidas nele insertas.

Ora, nada pois pode ser exigido aos partidos da extrema-esquerda que, coerentemente, se mantêm ainda hoje à margem do Pacto de Salvação (memorando assinado entre o FMI, o BCE e a Comissão Europeia e Portugal) e que agora apelidam de Pacto de Agressão. Bem diferente é a postura do Partido Socialista.

Aquando da última avaliação positiva dos representantes da Troika, António José Seguro teve a declaração mais infeliz, mais politiqueira e mais mesquinha que ouvi de um alto dirigente político nos últimos meses: o actual Secretário-geral do Partido Socialista afirmou que as boas notícias da Troika eram más notícias para os Portugueses. Ora, tal despudor só pode ser entendido como a evidência do PS começar a descolar do cumprimento das medidas impostas pelo dito Memorando.

Mais: só por eleitoralismo bacoco e falta de determinação se pode entender que o líder do Partido que negociou e assinou o Acordo com a Troika se venha agora distanciar do cumprimento do mesmo. O melhor exemplo desta postura foi a forma como o PS se colocou no debate sobre a reorganização do mapa autárquico. Primeiro, aquando da publicação do Livro Verde (documento para discussão) opôs-se aos princípios nele estabelecidos.

Depois, votou contra a proposta de lei do Governo recusando contribuir para o debate, bem sabendo que aquela meta era imposição do Memorando da Troika e que, aliás, constava do seu próprio programa eleitoral. Até posso entender que o PS não concordasse com os critérios da proposta de lei. Até posso aceitar que o PS defendesse que aquele não era o caminho; que o caminho deveria ser outro. Mas qual? Nem uma proposta? Nem uma para a amostra?

A postura do PS na reforma do Poder Local faz adivinhar o que aí vem: António José Seguro, procurando ganhar a simpatia dos Portugueses, vai opor-se a todas as medidas difíceis que o Memorando da Troika impõe e que o Governo tem que cumprir. O que se esquece é que o PS, que conduziu o País à desgraçada situação que conhecemos, negociou e assinou o que não quer cumprir. Mas esquece-se sobretudo que os Portugueses não gostam de troca-tintas nem de líder frouxos. Faço pois o meu próprio vaticínio: António José Seguro tem os dias contados na liderança do próprio Partido Socialista.

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