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O ocioso histérico

Democracia e Crescimento Económico

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O ocioso histérico

Escreve quem sabe

2021-11-28 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Junto dos colegas de trabalho sou o moderador de um subgrupo de discussão. Teams matinal às quintas-feiras, que cada um está no seu posto, quem calha a centenas de Km dos demais. Porção do dia de que a entidade patronal abdica, nesse sentido estrito da rentabilidade medida ao minuto e pautada a chicote. Reflexão em torno de tema da actualidade sugerido por alguém, debate para aproximação de atitudes, para evidenciação de preconceitos, para confronto ou convergência de valores, elemento cimentador de espirito de equipa, de cultura de empresa.
Ponto de viragem: que mais vale uma má decisão, que decisão alguma. Fórmula de heurística perceptível, quando o «mau» de uma decisão se prende com o facto inelutável de que seja imperfeita, inconclusiva, resultando o «bom» mitigado de um impasse que se vence, de uma paralisia que se sacode.

Fórmula terrível, contudo, quando com uma acção à toa se depuram inépcias e ociosidades entranhadas, quando com desfaçatez gritante se abdica de enfrentar problemas candentes dentro dos limites da Razão.
Que tem o covid actual de extraordinário? Diz a Lusa – e eu acredito que a fonte seja fidedigna – que as novas infecções tocam apenas 0,7% dos vacinados. Diz o governo que a cobertura vacinal rondará os 87%, consideravelmente acima, se levarmos em conta os não abrangíveis.
Contas que quem quer fará, sem que muito possa variar o resultado. Favorável panorama que um Costa repetitivo enuncia de entrada, para logo abrir torneira de pipo de mistela deslaçada, de travo entre o avinagrado e o suor de cavalo.

Que folgue o Costa por instantes, centremo-nos em nós. Que corpo não prestamos ao eco de que a vacina não funciona, que é frágil, que não previne em absoluto a infecção e a transmissão! Não são os dados reais contraditados por estes empolamentos e histerias? Porque avançam à boca-de-cena os positivos raquíticos, os casos residuais estatisticamente desprezíveis, tanto mais que de carga claramente esbatida, que manifestamente menor é a doença superveniente, que incomparavelmente menor é a eventualidade de desfecho fatal?
Digamos nós em coro, do fundo de cena, holofotes reclame fala nossa consentânea com a Verdade: a vacina funciona! Metam-lhe ou não dose de reforço, a vacina funciona. Metam-lhe ou não prevenções acessórias, a vacina funciona.

E se a vacina funciona, porque tenho eu – e permitida me seja a pessoalização – de passar a inconveniência repetida de testagem para entrar em Pedras Rubras no final de semana, após laboriosa jornada de trabalho noutras paragens, custando-me o teste mais do que o bilhete de avião. Testes cuja validade, por ridículo dos ridículos, decai aqui de 72 para 24 horas, contadas a partir da colheita.
Não posso ter respeito intelectual por quem tanto atropela a verdade, por quem tanta bravata de estadista faz com ralas decisões, mas acredito que o senhor Costa, mais quem o acompanha, não tenha peito para feito de relevo. Que é hoje o covid, senão o Recreio de governantes ociosos? Que é hoje o covid, senão esse forte, contra cujas muralhas rechaçam as investidas de problemas reais?
Sim, se tão absorvido anda a livrar-nos de inimigo inconspícuo, que em substância não nos ameaça, como pode o senhor ministro, o gabinete, o executivo no seu todo, deslindar venial alta de preços?
Poder que se serve a si próprio, que tolhe o Povo para que bocas não se escancarem, para que não se propague que o rei vai nu. No Chapitô monegasco, de mãos de Carolina ou Estefânia, vem o senhor Costa de receber um palhaço de cortiça, recamado a folha de ouro de tolos. É merecido.

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