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O Natal e os consumidores

Quatro anos de Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB)

O Natal e os consumidores

Escreve quem sabe

2019-12-14 às 06h00

Fernando Viana Fernando Viana

O período do Natal é sempre igual e sempre diferente. Sempre igual porque se repete na tradição cristã há cerca de dois mil anos, representando uma oportunidade de reencontro e renascimento para cada um de nós. Reencontro consigo próprio e com os outros, família e amigos. É uma nova possibilidade de eventualmente sarar algumas feridas, de darmos aos outros o melhor de nós próprios.
Mas o Natal é sempre diferente. Há sempre alguma expetativa no novo Natal que está para chegar, em algo que vai nascer e que pode ser diferente (para melhor). É uma nova esperança de mais paz, mais saúde, menos problemas para cada um e para o Mundo. Basta olhar para o sorriso das crianças nesta altura do ano para perceber que o Natal vale a pena.
Na verdade, o Natal depende essencialmente do que vai no coração de cada um e na sua real e genuína preocupação com o bem estar do seu semelhante.

É verdade que nenhum de nós tem, por si só, o poder de mudar grande coisa ou influenciar de forma decisiva os acontecimentos à nossa volta. Mas, será mesmo assim?
Vejam-se os exemplos recentes de duas mulheres em áreas completamente diferentes, mas que no fundo se resumem à preocupação de transformar o planeta que habitamos num lugar melhor social e ambientalmente. Estou a pensar em Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que desafiou os preconceitos religiosos da sua sociedade e do mundo e tem lutado essencialmente pela valorização da condição da mulher nas diversas latitudes deste mundo onde são negados os seus direitos mais básicos e estou a pensar em Greta Thunberg, a jovem, muito jovem, ativista ambiental sueca, que tem conseguido mobilizar jovens e adultos para a urgência dos problemas ambientais.
Quem diria que estes dois seres humanos, sem qualquer arma a não ser a sua forte e inabalável vontade de mudar o mundo para melhor, conseguiriam mobilizar milhões de pessoas, organizações e países?
A frase de campanha do ex-presidente americano ‘Yes you can!’ está-me sempre nos ouvidos contra o fatalismo e passividade daqueles que desmobilizam facilmente e nada fazem.

Independentemente das crenças religiosas, de se acreditar em Deus e em Jesus ou em qualquer outra divindade (sou dos que acreditam que é preferível acreditar em algo do que em nada), toda a humanidade é, em maior ou menor medida, afetada por este período (sabia que dos mais de 200 países do Mundo, apenas em cerca de 30 o dia de Natal não é considerado feriado?).

Da nossa parte de cronista conotado neste espaço com o Direito do Consumo e os Direitos dos Consumidores, a nossa preocupação hoje centra-se nos seguintes aspetos:
1. Que este período seja vivenciado na alegria, na partilha, no convívio fraternal com amigos e família. Na preocupação em refletir no que fizemos menos bem no passado e na oportunidade de renascer e de fazer melhor;
2. No abandono de uma atitude meramente consumista que está fortemente associada a esta época do ano. O Natal é símbolo de festa, de abundância, de alguma ostentação de bens materiais. Devemos urgentemente infletir caminho e dar outro significado ao Natal, que não passe pelo mero desperdício de bens materiais e pela ostentação, mas antes pela necessidade de preservar o ambiente e os recursos naturais que são finitos muitos deles. Nesta perspetiva, sobretudo consumerista, reservemos os excessos para o amor pelo próximo.

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