Correio do Minho

Braga, sexta-feira

O Natal da minha infância

Portugal Menos, Portugal Mais

Ideias

2017-12-29 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha

Quando estudei filosofia, nunca entendi muito bem a posição idealista sobre a realidade, em que, basicamente, se afirma que o real é construído pela pessoa, segundo categorias pré-determinadas. Eu era marcadamente realista e positivista e acreditava que a realidade determinava a forma de pensar.

Isto vem a propósito do Natal da minha infância que era objetivamente pobre: batatas com bacalhau e os doces caseiros (formigos, aletria e rabanadas). Era simples e frugal e às 10 horas da noite todos estavam na cama porque a casa era fria e o tronco na lareira ia-se extinguindo.
Depois veio o presépio, a árvore de Natal, o peru e outras carnes e muitos e muitos e muitos doces; finalmente as prendas muito perto da meia-noite. A criançada acreditava no Pai Natal e os adultos esperavam ansiosamente a distribuição dos presentes.

Mas qual o Natal mais feliz? Não sei. A felicidade é fundamentalmente interior e não são os excessos da sociedade de consumo que fazem a felicidade. O importante é o encontro das pessoas de família que durante dois dias esquecem os aborrecimentos do dia a dia e acreditam que têm o apoio uns dos outros. O Natal mede-se por este sentimento de ligação e não pelo aumento da taxa de consumo. Mas o Natal é também dos que já partiram, mas dos quais guardamos a memória e os sentimos a velar por nós, como se estivessem connosco.

É neste sentido que, com a idade, me vou tornando mais idealista, acreditando que a consciência determina os contornos da realidade e esta é interpretada segundo um esquema de valores pré-existente.
É também assim na política. Para uns, o país caminha rapidamente para bancarrota, na medida em que se quer repor os níveis de consumo e rendimentos anteriores à TROIKA. Para outros, vive-se melhor hoje e com estas políticas o país vai sair do buraco.

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