Correio do Minho

Braga, terça-feira

O Mundo não vai acabar!

O conceito de Natal

Ideias

2012-12-23 às 06h00

Carlos Pires

1. Na senda dos discursos apocalípticos a que nos fomos habituando, na última década, (tendo por base o terrorismo, ou as pandemias, desde as vacas loucas à gripe das aves, ou mesmo o aquecimento global), verdadeiras fontes de inspiração para o cinema e literatura mais sensacionalistas, eis que, à revelia de todas as previsões baseadas na profecia maia, o fim do mundo não ocorreu na passada sexta-feira, dia 21 Dezembro de 2012…
De resto, discursos do “Fim do Mundo” constituem coisa a que os europeus em geral (e os portugueses, em particular) se habituaram nos últimos tempos, mas numa vertente 'financeira', isto é, substituindo as “bolas de fogo” por números e equações económicas. Passando a escassos exemplos: o 'Fim do Mundo' é apregoado antes de cada uma das sucessivas cimeiras europeias e antes de se saber a decisão da Super-Poderosa-Angela Merkel; o “Fim do Mundo” é sistematicamente anunciado para o caso de a Grécia não aprovar no respetivo Parlamento as intermináveis medidas que lhe vão sendo impostas pela Troika; o “Fim do Mundo” é garantido se nos bancos não for injetada liquidez; o “Fim do Mundo” é proclamado se os impostos não forem aumentados, ou se determinado número de funcionários públicos não passar a listagens de excedentários, ou ainda se não forem extintos uns quantos serviços públicos tidos no passado como essenciais, desde a saúde à justiça. Etc etc etc…
Dúvidas não restam que para toda a classe política europeia (incluindo a nacional!) o discurso do “Fim do Mundo” tem tido a sua utilidade. Os destinatários têm acatado ( poder-se-á dizer “pacificamente”!), como que receosos pela confirmação de qualquer teoria do “fim à vista”.

2. E como é que os portugueses têm lidado com esta perspetiva do colapso? Há aqueles que fugiram para outras paragens, em busca da “terra prometida”, e há aqueles que ficaram, mas que parecem ter desistido, envolvidos numa letargia que lhes vai retirando o “ser”. Mas nem tudo é mau! A antevisão do fim tem levado muitos outros a “arrepiar caminho”, cortando gastos desnecessários e repensando a poupança, criando o “próprio negócio”, o que lhes tem permitido “manter a cabeça à tona”.
Ainda há pouco tempo, neste mesmo espaço de partilha de opinião, referi que na mensagem dos responsáveis políticos lusos e europeus há um défice de notas de esperança e energia positiva. O que eles têm de perceber quando olham para o novo ano 2013 é que todos nós, os governados, precisamos de alguém que diga que “o Mundo não vai acabar”. O medo e os discursos alarmistas paralisam, não agitam. E com medo, não se fazem projetos, não se investe, não se vislumbram ideias inovadoras e soluções.

3. Para os meus estimados leitores, e como receita para vencerem todas as “crises”, em casa, na escola ou no trabalho, passo a reproduzir a cábula de Ernâni Lopes, economista de formação, mas um homem essencialmente humanista, que substitui números e gráficos por valores, atitudes e padrões de comportamento como a base essencial para se obter o êxito: - onde existe 'facilitismo', deve haver 'exigência'; onde está 'vulgaridade', pôr 'excelência'; onde está 'moleza', pôr 'dureza'; onde está 'golpada', pôr 'seriedade'; onde está 'videirismo', pôr 'honra', onde está 'ignorância', pôr 'conhecimento'; onde está 'mandriice', pôr 'trabalho', onde está 'aldrabice', pôr 'honestidade'.
São aqueles que revelam audácia e coragem, aqueles que demonstram espírito positivo e construtivo, que, afinal, conseguem ultrapassar as dificuldades e obstáculos, que conseguem reinventar-se!
Para todos, um Santo Natal e um Bom Ano Novo 2013! Vamos acreditar que se celebrou o fim de um ciclo; que temos a capacidade de mudar de rumo, de não cruzar os braços e de procurar novas alternativas. São estes os meus votos.

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