Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O mistério do tesouro

Uma carruagem de aprendizagens

Conta o Leitor

2012-08-27 às 06h00

Escritor

Por Vera Carvalho Barquero da Silva

Era um dia de muito calor e estavam todos de férias, a família Alves decidira fazer arrumações. À Alice tinha calhado arrumar o sótão, tarefa que não lhe tinha agradado muito, não gostava muito de arrumar, ainda por cima, o sótão, cheio de pó e de coisas que não interessam. O sótão não era muito grande, tinha apenas uma janela redonda e havia pó e caixas por todo o lado. Encostada a uma das paredes estava uma estante com livros e foi por aí que começou. Depois pegou numa caixa e tirou tudo o que estava lá dentro. No fundo da caixa estava o que parecia ser um livro, Alice pegou nele e reparou que tinha um cadeado como o dos diários, ficou com curiosidade e procurou a chave, entre alguns postais lá estava ela. Experimentou abrir o diário e conseguiu, começou a folhear as páginas amarelas até que encontrou uma folha, abriu-a e percebeu que era um mapa de Portugal, a folha estava rasgada mas percebiam-se perfeitamente os contornos do norte do país. Virou a folha e estava escrito na parte de trás:
'Se tem metade do meu coração, então, metade de tudo o que tenho está na sua mão.'
Alice voltou a dobrar a folha, pô-la dentro do diário e fechou-o novamente, acabou de arrumar o sótão e guardou o diário consigo.
No dia seguinte, Alice encontrou-se com a sua melhor amiga, Diana, mostrou-lhe o diário e a folha. Ambas examinaram, mas não conseguiram chegar a nenhuma conclusão:
-Já leste alguma coisa do diário? - Perguntou Diana.
-Sim, este diário pertencia a uma mulher chamada Leonor que nasceu em 1921, em 1943, quando tinha 22 apaixonou-se por um homem e depois não li mais nada.
-Então lê! - Sugeriu Diana. A história de Leonor continuava: tinha-se apaixonado por um homem, mas já estava noiva de alguém que mal conhecia. O seu pai era um homem de negócios e só queria dinheiro, como os pais do noivo de Leonor eram muito ricos, fez com que os dois se casassem. Leonor tentou opor-se à decisão que o pai tomara, mas não conseguiu. Casou com esse homem deixando para trás quem amava verdadeiramente, Pedro, que não era rico mas era muito mais nobre. Aí o diário terminava. Alice e Diana queriam encontrar a outra metade da folha e perceber aquele mistério: porquê o mapa de Portugal? Juntas tentavam decifrar a mensagem que estava na parte de trás da folha.
-Já sei! - Gritou Diana - “se tem metade do meu coração, então metade de tudo o que eu tenho está na sua mão” quer dizer que a pessoa que ela ama tem metade de tudo o que ela tem, essa pessoa tem metade desta folha.
-É isso! - Disse Alice - decifras-te a mensagem!
-Mas como é que vamos encontrar esse Pedro? Se for vivo tem 94 anos.
-No diário tem a morada dele, podemos procurar lá. - Alice abriu o diário e folheou-o - está aqui… mas ele vive em Lisboa e nós estamos em Braga.
-Uma tia minha mora em Lisboa, podíamos ficar na casa dela. - Sugeriu Diana
Falaram com os pais que deram autorização e na semana seguinte já estavam hospedadas na casa da tia Maria. Andaram à procura da casa onde morava Pedro, pelo menos em 1943 morava lá… Logo no primeiro dia conseguiram encontrar a casa. Estavam à porta, era uma casa simples. Tocaram à campainha e a porta abriu-se, apareceu um homem velho, mas que parecia de boa saúde e cheio de energia:
-Boa tarde - disse ele com uma voz rouca e simpática.
-Boa tarde- responderam as amigas em coro.
-O senhor chama-se Pedro? - Perguntou Diana.
-Sim. - Respondeu o homem confuso.
-Nós encontraram o diário de uma mulher chamada Leonor. - Disse Alice.
-Entrem. - Convidou. Elas seguiram-no, sentaram-se no sofá.
-Nós encontrámos…
-Eu sei - interrompeu - um mapa do tesouro.
-Um mapa do tesouro? - perguntaram espantadas.
-Sim, não sabiam?
-Não.
-Eu fiquei com metade desse mapa, fiquei com a metade que é fundamental para encontrar o tesouro, se é que ele existe, vocês parecem simpáticas - levantou-se e saiu da sala, mas segundos depois já estava de volta - por isso, vou confiar em vocês e vou entregar-vos o mapa. Mas eu gostava de ver esse tesouro, se ele existir.
-Claro-concordou Alice- nós damos-lhe o tesouro.
-Não, não o quero, só quero saber se ele existe.
-Tem a certeza?
-Sim, já estou velho, não preciso de nada disso. - entregou-lhes a metade dele do mapa. As duas metades juntas formavam o mapa de Portugal, em Faro havia um círculo com uma casa desenhada dentro dele - é a casa dela, eu sei a morada. - Concluiu Pedro.
Duas semanas depois estavam em Faro, como dizia no mapa, o tesouro estava escondido naquela casa. Uma mulher tinha-lhes aberto a porta, disse-lhes que Leonor tinha morrido e que agora aquela casa era do seu filho. Essa mulher indicou-lhes o caminho para uma árvore enorme, era o sítio preferido de Leonor, o tesouro tinha de estar ali. Alice e Diana começaram a escavar, encontraram uma arca mas estava fechada, precisava de uma chave.
-Experimenta a chave do diário - Alice procurou a chave e quando a encontrou abriu a arca e agora elas tinham um tesouro nas mãos.

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