Correio do Minho

Braga, sábado

O meu pequeno sol

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Conta o Leitor

2015-07-05 às 06h00

Escritor

SARA LOPES

Parece que ainda a vejo a correr em direção a mim… livre, feliz, cheia de vida… a correr pela beira da água, recuando um bocadinho quando a água fria tocava no seu pequeno pé…
O meu pequeno anjo tinha quatro anos quando tudo aconteceu. Loira, com caracóis em cachos perfeitos, branquinha como a porcelana e delicada como tal. À nascença, a minha pequena foi diagnosticada com uma doença imunitária. Lupus, disseram eles. Eu investiguei, informei-me, tomei todas as precauções, mas mesmo assim não foi o suficiente…

Todos os anos íamos para a praia. Era o nosso ritual de família, praticamente. Estava tudo bem… a minha bebé estava a brincar, cheia de saúde, a chapinhar na água fria do Atlântico. Tudo parecia bem até chegar à hora de dormir. A minha riqueza começou a tossir sem parar. Já nem tinha força para se por a pé… foi aterrorizante! Corremos para o hospital e todo o pesadelo recomeçou. Dias intermináveis, horas miseráveis, minutos dolorosos, segundo aterradores… Ninguém consegue imaginar como é! Nunca entendemos bem o que aconteceu, mas o derradeiro momento chegou no dia 31 de Agosto. A minha estrelinha partiu… partiu para o céu, para o lado de todas as outras estrelinhas que iluminam o nosso universo.
Agora, passados dez anos e inúmeras tentativas de voltar a engravidar, desisti! Quero ser livre de novo… Livre desta dor, desta saudade… A praia é onde a sinto mais perto de mim. Sentir a brisa da praia, desta praia, traz-me recordações dos tempos em que era feliz… em que aproveitava o calor do sol, a vivacidade da água, a juventude… a altura em que sorria. Há quem acredite no destino… Estaria eu destinada a isto? Não sei… As minhas mão tremem e as lágrimas teimam em cair… não controlo a dor… ela já não está aqui… já não corre, já não ri, já não vive… Mas uma coisa é certa, NUNCA deixarei de ser MÃE!

A todas as mães que me ouvem, vivam e aproveitam os seus filhos! Sofram com eles, fiquem com eles, sejam felizes com eles… Não há alegria melhor no mundo! Apesar de já não ter a minha menina comigo, todos os dias me lembro dos cabelinhos dela a esvoaçar e do sorriso dela a contagiar… Sabem aqueles risos contagiantes? Ela tinha um assim. Ninguém ficava triste perto dela. Era uma força da natureza… A minha força da natureza! O meu pequeno sol!
Amei a minha Matilde desde que ela abriu os olhos, e amá-la-ei até fechar os meus.
(…)

Os anos passaram e tudo mudou! A minha Matilde foi a minha inspiração… Como por vontade da natureza, envolvi-me numa organização que ajuda crianças necessitadas com lúpus e conheci duas gémeas maravilhosas…duas lutadoras, que me fizeram ver a luz e amar ainda mais a minha Matilde. Agora, sou feliz. Tenho a minha Matilde, mas também tenho a Maia e a Mariana, duas angolanas lindas. Agora, sou eu a força da natureza e o mundo das minhas meninas. Se calhar algumas coisas estão mesmo destinadas…

Sinto me um pouco enjoada e as emoções à flor da pele… a minha menstruação está uma semana atrasada… será possível? Estarei grávida?

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