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O Leite não nasce na prateleira do supermercado

A praia: um lugar ameaçado de extinção

O Leite não nasce na prateleira do supermercado

Ideias

2024-05-05 às 06h00

Mário Meireles Mário Meireles

Qualquer cidade precisa de ser abastecida com vários produtos e materiais. A logística de distribuição inicia-se no local onde a produção é efetuada e armazenada, seguida de embalagem, manuseamento e transporte. Este transporte pode ser para um novo armazém de distribuição, para o armazém do ponto de venda ou a entrega do produto ao cliente final.
Nos terminais de mercadorias dá-se a transferência da mercadoria entre diferentes modos de transporte, sejam eles navio, avião, comboio ou camião. Alguns destes terminais são conhecidos como portos-secos, como o futuro terminal rodoferroviário de Famalicão ou o projetado centro logístico da Torrestir em Vilaça, dois projetos essenciais para a distribuição logística não só da cidade de Braga, mas de toda a região.
Vamos focar-nos na parte do transporte das mercadorias na parte urbana. Há cidades que não permitem camiões pesados de mercadorias nos seus centros urbanos. Isso leva a que exista um centro logístico que faz a transferência do camião para veículos mais pequenos de distribuição, sejam eles carrinhas, carros comerciais ou até bicicletas de carga.
Isto leva a que as cidades tenham as suas redes bem montadas e que os centros logísticos estejam colocados próximos das áreas urbanas e sejam bem servidos ao nível rodoviário e ferroviário, para que não se aumentem os custos de distribuição.
Quando vemos os pacotes de massa ou leite na prateleira do supermercado, ou quando levantamos o dinheiro na caixa multibanco, quando compramos um eletrodoméstico, móveis, ou quando temos uma entrega de comida através, por exemplo, da Uber Eats ou da Glovo, a entrega de uma encomenda, que nos chega por exemplo via DPD, CTT ou UPS, a distribuição de pão, ou até o abastecimento de medicamentos nas farmácias, é necessário garantir espaços livres para que esses estacionamentos sejam efetuados.  
Há toda uma rede montada, complexa, que funciona para termos a mercadoria que procuramos. E quanto mais níveis de distribuição, de armazenamento e de transporte temos, maior o custo e o tempo de serviço.
Para isso servem os lugares de cargas e descargas, que precisam de estar disponíveis para quem deles necessita de uma forma séria, eficiente, eficaz, constante e recorrente ao longo dos vários dias da semana. 
O que temos vindo a verificar nas cidades é que esses lugares são descurados e servem de estacionamento diário obrigando a que quem precisa desses lugares acabe a fazer o trabalho de carga ou descarga muitas vezes no meio da estrada, porque o lugar está ocupado, ou no passeio, porque simplesmente não há lugares no local da distribuição. Este estacionamento proibido deve-se, muitas vezes, à necessidade de se efetuar a entrega no tempo útil para o cliente final.
Em Braga, nas ruas onde o estacionamento é fiscalizado pelos TUB, através dos Agentes dos EUB, os mais de 150 lugares de carga e descarga estão constantemente ocupados por carros estacionados por pessoas que apenas não querem pagar o parquímetro e acabam a não ser fiscalizadas pelo estacionamento que não é permitido - mesmo tendo os TUB essa competência delegada desde 2019. Somos capazes, por exemplo, de ver o camião de mercadorias a descarregar para o Pingo Doce de Santa Tecla, no meio da via de trânsito, porque a zona de cargas e descargas, com 24 metros de comprimento, está constante e diariamente com carros estacionados, com a conivência do Município de Braga e dos TUB. Mesmo denunciando a situação e chamando as autoridades, os lugares de cargas e descargas continuam ocupados impedindo o trabalho dos distribuidores.
O Município de Braga lançou um teste piloto até Junho de 2024, que consiste num aplicativo móvel de gestão dos lugares de cargas e descargas, em que a pessoa que os utiliza ativa-a e usa o lugar por 20 minutos. Qualquer pessoa. O aplicativo PARKUNLOAD está apenas disponível em 11 ruas do centro histórico, em algumas das ruas que pertencem à zona fiscalizada pelos EUB e não é consequente. Desde 2019 quantas contraordenações já emitiram os TUB por estacionamento proibido? E por estacionamento num dos 150 lugares de cargas e descargas? Zero. E não é por falta de carros mal-estacionados a prejudicar o normal abastecimento da cidade.
Fora das ruas onde o estacionamento hoje em dia é pago, os lugares de carga e descarga estão, também eles, cheios de carros estacionados de forma proibida e, normalmente, sem serem fiscalizados pela Polícia Municipal. Os distribuidores acabam por ter de ser criativos para conseguirem trabalhar e distribuir as mercadorias.
A mobilidade induz-se e também nas mercadorias é preciso uma estratégia, plano e trabalho de terreno.

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