Correio do Minho

Braga, quinta-feira

“O lado sentimental e o material”

Aprender a viver sustentavelmente com o Programa Eco Escolas

Escreve quem sabe

2019-01-07 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva

O vento banhava-se com raios quentes de sol e o mar espelhava uma azulada aparência. Na areia, as ondas rebentavam, desenhavam-se sonhos, momentos sublimes e efémeros de pura ilusão, solitários por vezes, sulcos entre coloridas pedras e corais. Estendidos na toalha, sublimávamos o horizonte tingido de várias tonalidades e víamos ao longe algumas embarcações, perdidas na imensidão do oceano. Alegre, a nossa princesinha contornava-nos, entre balbucios e risadas contagiantes.
O primeiro dia do ano desperta bem cedo. O sol e o frio presenteiam-nos com um largo sorriso, em plena sintonia. O ar respira profundamente a nostalgia dos velhos tempos e aproveita-se para recordar a singeleza das férias que findaram. Projetamos o novo ano com muita ambição e o mesmo sentido de tranquilidade e harmonia. Atualizamos juntos a lista de aspirações pessoais, subdividindo-a em dois grandes grupos, partição feita com olhar de lince, instrumentada a micrómetro: o sentimental e o material.

Por breves momentos, penso nesta partição e na sua razão de existir. Serão estes grupos, na mesma proporção, faces opostas da mesma moeda? Ou, pelo contrário, serão caminhos estritamente paralelos, talvez interligados e indissociáveis? Há quem afirme que a vida não representa a felicidade no seu todo, mas sim a junção de efémeros momentos de prazer e real sentido que se eternizaram, à posteriori, no nosso consciente. Concordo plenamente. Se conseguirmos projetar em cada gesto, em cada abraço, em cada memória a emoção espoletada por esses momentos de cumplicidade, outrora estampados no tempo, seremos então sublimados com a verdadeira felicidade. Se, pelo lado sentimental, os nossos desejos mais profundos almejam sempre saúde, amor e sucesso profissional, algo que é comum, nas nossas sociedades, nos sucessivos inícios de ano, considero que o auge da plena satisfação pessoal se consolida e permanece equilibrado com o lado material.

Nesse sentido, imagino também o retalho e as tecnologias, áreas que trabalho diariamente. Relembro os seus segmentos, processos de negócio distintos e também todos os seus profissionais. As áreas de “Business Intelligence”, Planeamento, Compras, “Merchandising” e “Marketing”, entre outras, têm um papel fundamental na procura dessa satisfação, através do pleno conhecimento dos seus consumidores, dos seus hábitos de consumo e tendências, dos seus desejos, oferecendo gamas de produtos e um vasto leque de eventos e iniciativas que vão de encontro a essas necessidades individuais.
Hoje, a azáfama na cidade é geral, miro-a da janela. O povo movimenta-se em massa. Associo este efeito às trocas comerciais e aos saldos de início de ano. Decido descer e passear pelas ruas, espreitar também as montras e alguma roupa em final de estação, analisando e aproveitando as reduções de preço aparentemente avultadas. Visito duas lojas um pouco mais além, talvez por ainda estarem um pouco vazias de gente. Acabo por entrar. Compro não só uns botins em pele, cor de camel com camurça no acabamento, mas também duas camisas que me fazem sentir um pouco mais confiante para o ano vindouro, depois de uma passagem de ano desmesuradamente açucarada.

O início de ano é sempre aliciante, mas não poucas vezes bastante constrangedor. Para colmatar estes sentimentos antagónicos, e se a carteira não estiver a esticar por aí além, sugiro que procure dar um belo passeio. Aproveite a família e o sol que ainda espreita. Se, para si, o lado sentimental é uma face espelhada do lado material, invista principalmente em si, na sua imagem, no seu equilíbrio físico e emocional. Assuma um comportamento mais dinâmico, positivo e cheio de esperança, impulsione a sua motivação com um belo sorriso e procure emanar boa disposição no seu quotidiano. Recorde sempre a velha máxima de que “comportamento gera comportamento” e, nesta época de saldos, lembre-se de que comprar algo poderá fazer-lhe bem à autoestima. No entanto, não se esqueça do velho ditado “quando a esmola é grande, o pobre desconfia”. Se, por um lado, as reduções de preço são uma oportunidade imperdível, garanta por favor que não se deixa levar pela imensa tipologia de descontos enganadores, pelos artigos de final de estação ou, até, pelos artigos que transitaram de épocas passadas. Pergunte sempre pelas políticas de trocas em época de saldos, de devoluções da marca e de restrições da própria loja.

*com JMS

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