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O insólito na vida politica e social em Portugal

Como vai ser a proteção do consumidor europeu nos próximos anos

O insólito na vida politica e social em Portugal

Ideias

2020-06-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

A vida em Portugal vem acumulando casos insólitos. E o primeiro foi a vandalização da estátua do Padre António Vieira, levada a cabo por manifestantes anti racistas. Vieira foi com Bartolomeu de las Casas um dos grandes defensores dos índios, a quem chamavam Padre Grande, mas também dos escravos de origem africana. O Padre António Vieira aprendeu as suas línguas e denunciou os colonos junta coroa; e, por isso, foi expulso do Brasil e foi perseguido pela inquisição e, só, a amizade do rei impediu que acabasse na fogueira. Mas também defendeu os judeus e a distinção entre cristãos- novos e cristãos- velhos.
O seu lema era “cada um é da cor do seu coração”. E foi esta memória que esses imbecis vandalizaram. Um bando de ignorantes e criminosos…

Outro fato insólito é esta sanha anti Centeno. Não se percebe que haja qualquer impedimento que impeça que venha a ser governador do Banco de Portugal. Os bancos centrais são atualmente independentes do poder político e dependentes do Banco Central Europeu de quem recebem ordens. E, como é um cargo de responsabilidade, o governador, na generalidade dos países europeus, é uma pessoa de alta qualidade, vindo das finanças. Centeno encaixa perfeitamente neste perfil e seria, com certeza, uma alternativa a uma personagem sem carisma, que trouxe grandes prejuízos ao país e prova provada do princípio de Peter.
Mas não contentes com o palavreado demagógico, engendraram uma lei “ad hominem para impedir a nomeação.

Mas não menos triste e parolo, foi aquela palhaçada, no palácio de Belém, do presidente da República, Primeiro Ministro, Presidente da Assembleia da República, Presidente da Câmara de Lisboa e mais gente ligada ao futebol para comemorar a vinda para Lisboa da fase final da Liga dos Campeões. De duas, uma: ou o acontecimento arrasta muita gente para Lisboa e o risco do alastramento do vírus torna-se perigoso, ou não arrasta ninguém e a organização vai gerar enormes prejuízos. A propósito, é oportuno lembrar que outros países mais poderosos futebolisticamente não se mostraram especialmente interessados na realização do evento.
Mas o remate desta tragicomédia foram as declarações de António Costa, ao afirmar que este acontecimento era um prémio para o pessoal do Serviço Nacional de Saúde.

Falta falar do fato verdadeiramente insólito que foi a festa de anos em Lagos que juntou 100 indivíduos, dos quais 90 saíram infetados. A notícia correu mundo e, sobretudo, o Algarve vai sair turisticamente afetado.
Eu pensava que estes ajuntamentos eram crime. E porque é que a polícia não prende, não multa e o Ministério Público não atua? E outra pergunta: será justo o SNS perder tempo e gastar dinheiro com estes irresponsáveis? Eu entendo que não.
Mas, há muitos mais casos insólitos. Veja-se a lata do presidente do Novo Banco que, depois de receber mais de mil milhões de euros do Estado, quer outo tanto. E da injeção de dinheiro na TAP, sem passar pelo controle da companhia por parte do Estado.
Entretanto, anuncia-se a vinda de dinheiro, muito dinheiro para resolver os problemas económicos, emergentes da pandemia. Toda a gente esfrega as mãos de contente; então os empresários abrem o apetite e os políticos sonham com rotundas e repuxos que se traduzam em vitórias eleitorais.

Estou pessimista com tanto dinheiro, conhecendo com conheço a cultura portuguesa. Para que mude é necessário uma destruição criativa, de que fala Shumpeter. Alimentar a biberão empresas falidas e ineficientes é um crime e não serve o futuro do país. Passado pouco tempo, voltará à triste sina: a seguir à abundância vem a crise, repetindo-se a história deste malfadado país.
Concordo com o Pacheco Pereira que insiste que mais vale fazer duas ou três coisas bem feitas que sirvam o futuro de Portugal: Um sistema universal e gratuito de saúde; acesso universal à internet; um sistema de comboios que sirva o país; e um sistema de habitação decente para todos, com o fim das “Jamaicas”.

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