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Braga, quarta-feira

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O guarda-redes Adelino Ribeiro Novo

Plano, Director e Municipal …

Ideias

2011-09-19 às 06h00

Joaquim da Silva Gomes Joaquim da Silva Gomes

Um dos concelhos da nossa região, pertencente ao quadrilátero urbano, e que se encontra numa fase de nítida expansão e de afirmação regional e nacional é o concelho de Barcelos.
Com uma cultura e história vastíssimas, este concelho tem vindo a afirmar-se, também no plano desportivo, de uma forma cada vez mais consistente no panorama nacional e internacional, claramente demonstrado por clubes do concelho, como o Gil Vicente FC ou o Óquei Clube de Barcelos, ou pela realização de eventos desportivos de índole mundial, como foi o caso do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins, que terminou este sábado.

Neste contexto, e apesar de não pretender analisar aqui o desporto barcelense, vou apenas recordar um dos maiores símbolos desportivos deste concelho, falecido há 66 anos: Adelino Ribeiro Novo.
O seu nome, que identifica um parque desportivo do concelho de Barcelos, é uma justa homenagem dos barcelenses e dos desportistas a este malogrado atleta.

O percurso de vida de Adelino Passos Ribeiro Novo deve ser exemplo para muitos dos desportistas actuais, como iremos ver mais à frente.
Filho de António Novo e de Maria José de Araújo Passos, Adelino Ribeiro Novo nasceu em 1921 e dedicou-se desde muito novo ao seu clube do coração, o Gil Vicente FC.

O desporto que era praticado na década (anos quarenta) centrava-se no amor ao clube, à região e à própria modalidade desportiva. O seu empenho desportivo, ético e pessoal estava centrado nos valores nobres da amizade, lealdade e gratidão. Raramente, nesta área desportiva, entravam os valores económicos ou financeiros. Neste contexto, a paixão e a dedicação desportiva de Adelino Ribeiro Novo não eram suficientes para o seu sustento económico, havendo a necessidade de ter que se dedicar a uma profissão, para sobreviver. Deste modo, Adelino Ribeiro Novo era empregado de uma loja comercial em Barcelos.

Adelino Ribeiro Novo, ou “Ribeiro II”, ou ainda “Ribeirinho”, como frequentemente era conhecido, era um destemido guarda-redes, na época considerado um dos maiores portugueses nesse posto e “tido como o melhor guardião da pro- víncia do Minho” (1). Por diversas vezes recebeu convites para representar grandes clubes nacionais, mas nunca teve vontade de abandonar o seu clube de coração.

Para o jornal “O Barcelense”, de 29 de Setembro de 1945, Adelino Ribeiro Novo era dotado de “explendidas qualidades para o difícil lugar, aliadas com uma modéstia impressionante”, características que faziam com que tivesse “em cada adversário um amigo”. Ainda para este jornal, as exibições de Adelino Ribeiro Novo, mesmo perante equipas superiores, transmitiam grande confiança aos seus colegas de equipa, “defendendo a baliza do seu club em momentos que já tudo estava batido”. O seu rosto expressava claramente as alegrias da vitória ou as tristezas da derrota, embora “o seu temperamento acanhado o obrigasse, muitas vezes, a fugir das manifestações de simpatia que sempre o envolviam”.

A sua morte trágica ocorreu num jogo de futebol. Foi num domingo, dia 16 de Setembro de 1945, logo aos 10 minutos do jogo amigável que opôs o Gil Vicente FC e o Desportivo das Aves, realizado no então Campo da Granja, em Barcelos. Nessa partida, Adelino Ribeiro Novo saiu destemido, como sempre, para defender a bola, quando foi atingido com um pontapé nos rins pelo jogador avense Armando Moreira de Sá.

Os médicos do Hospital de Barcelos fizeram tudo o que era possível para salvar Adelino Ribeiro Novo, inclusive uma transfusão de sangue, mas a gravidade das lesões provocou, passadas poucas horas do incidente, a morte do popular guarda-redes.

O funeral de Adelino Ribeiro Novo constituiu um momento de grande consternação, envolvendo uma multidão impressionante. As cerimónias fúnebres realizaram-se no dia 17 de Setembro de 1945, e constituíram uma das maiores manifestações de apreço que os barcelenses até então tinham demonstrado a um barcelense. No funeral participaram todos os seus colegas de equipa, a direcção do Gil Vicente FC e as mais destacadas figuras e instituições da região.

A sua urna foi conduzida desde a igreja da Misericórdia até ao carro fúnebre pelos seus colegas de equipa e do carro fúnebre até ao cemitério foi conduzida por vários futebolistas do distrito de Braga.
Um ano após a sua morte, Luís Figueiredo escreveu no jornal “O Barcelense” (14 de Setembro de 1946) que a emoção envolveu todos os presentes no funeral de Adelino Ribeiro Novo, tendo nesse momento sentido o “alarido das ovações, do calor dos aplausos em que era envolvido… ao silêncio profundo da campa fria…”.

Também Silva Correia apresentou o seu testemunho no jornal acima referenciado, dizendo que Adelino Ribeiro Novo “foi incontestavelmente o maior guarda-redes barcelense de todos os tempos. A sua natural modéstia, o apêgo á terra que lhe foi berço e sobretudo o seu amôr á família, também impediram que, no campo desportivo, tivesse ido muito mais longe”.
No final de tudo isto, o menos importante: nesse primeiro jogo da época, o Gil Vicente FC venceu o desportivo das Aves por 2-1.

1) - Jornal “Correio do Minho”, de 18 de Setembro de 1945.

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