Correio do Minho

Braga,

O grupo M 40

O nível de vida português pode ser ultrapassado pelos países do leste europeu

Escreve quem sabe

2010-03-27 às 06h00

Fernando Viana

No passado dia 20 de Março, a operação Vamos Limpar Portugal foi para o terreno.
Experiência única. Valeu a pena participar e penso que nem a chuva que caiu durante boa parte do dia afastou a maior parte dos voluntários.

Quando cheguei ao ponto de encontro (parque de estacionamento do Minho Center em Braga), fui integrado num grupo designado por “M 40” constituído pela Albertina, a Lúcia, a Paula e a Raquel (irmãs) e o Márcio. Fomos enviados para uma zona da cidade de Braga que não conhecia, encravada nos limites da fronteira entre a junta de freguesia de Lamaçães e Nogueiró, para uma artéria designada como Rua Perpendicular à Alameda do Lago (se a memória me não falha), a qual é composta fundamentalmente por terrenos para construção de moradias.

Quando lá chegámos e olhei para a envolvente pensei: “coisa pouca”. Esta impressão desapareceu ao fim de 5 minutos. Efectivamente, à medida que o grupo foi explorando a área, começamos a ficar surpreendidos com a quantidade e diversidade de lixo, causado fundamentalmente pela falta de civismo de alguns dos nossos concidadãos. Grande parte dos resíduos era constituída por materiais de construção (tijolos, azulejos telhas, restos de cimento e fios eléctricos) resultante do depósito selvagem dos detritos de diversas obras. Depois havia plástico a perder de vista, papel, garrafas de vidro, um depósito de televisores antigos, restos de um frigorífico, ferro, bolas de futebol esburacadas, entre outros.

Deu para encher uma carrinha grande de caixa aberta que apareceu a meio da manhã e deixámos no local, já preparado para a recolha, outro tanto. Em jeito de balanço, tirando restos de tijolo, telhas e cerâmica que não foram recolhidos, cerca de 2 hectares de terreno terão ficado limpos.

Até quando? Nesse mesmo dia, quando circulava numa rua da cidade, passei por uma loja em obras, na qual se carregavam detritos para uma viatura. Qual o seu destino?
Quantas operações “Vamos Limpar Portugal” vão ser necessárias?

Durante o trabalho, o grupo foi trocando impressões, ficando no ar as seguintes questões:
- Parte do depósito selvagem de resíduos de construção resulta do elevado preço que a BRAVAL cobra?

- Não fica depois mais caro para toda a sociedade as consequências do depósito selvagem de lixo por toda a parte?

- Não deverão ser colocados mais locais aptos para a recolha de lixo, tipo ecopontos, mas de dimensões maiores, bem sinalizados e com capacidade para a entrega separada de resíduos?

- A população não deverá ser mais sensibilizada para participar às autoridades sempre que testemunhe o depósito selvagem de lixo?

- Os infractores não deveriam ser punidos de forma mais dura, de modo a desincentivar esta prática?

- Os jovens que cometam infracções na escola, bem como os autores de pequenos delitos, não podem ser sancionados com penas de trabalho a favor da comunidade que impliquem a limpeza da floresta e da cidade, em detrimento de outras sanções?

Foi um dia interessante. Conheceram-se pessoas boas e ficou demonstrado que a nossa sociedade, quando devidamente mobilizada é capaz do melhor. O dia 20 de Março aí fica como prova de que somos capazes de unir as mãos e abraçar boas causas, como esta, deste modo contribuindo para que o futuro se apresente mais risonho.

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