Correio do Minho

Braga, sexta-feira

O Governo falhou

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2013-03-26 às 06h00

Pedro Sousa

No passado dia 15 de Março, sexta-feira, o até aí Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anunciou ao País os resultados da sétima avaliação da Troika.

Esta avaliação aconteceu, apenas, três meses após o início da execução do Orçamento de Estado para 2013. Um orçamento difícil, o Governo nunca o negou, mas um orçamento que há meia dúzia de meses atrás, apesar de muitas vozes e opiniões dissonantes, muitas delas de destacados ex-dirigentes do PSD, colocaria Portugal, nas palavras de Vítor Gaspar e de Pedro Passos Coelho, na rota da consolidação das suas contas públicas.

O País, de Norte a Sul, da esquerda à direita, gritou, vociferou que o Orçamento era impraticável quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista económico (era profundamente errado pois somava recessão à recessão), quer, sobretudo, do ponto de vista social, tendo em conta que agravaria de forma desumana as condições de vida já extremamente difíceis das famílias portuguesas.

O Governo, autista, insensível, insistiu. Em três meses confirmaram-se os piores receios de todos que tinham vaticinado a impraticabilidade deste Orçamento. Em três meses a economia passou de uma recessão de 1% do PIB para um recessão de 2,3%, em três meses o consumo privado desceu de -2,2% para -3,5%, em três meses o investimento caiu de -5,5% para -7,6%, em três meses as exportações caíram de 2,9% para 0,8%, em três meses, apenas, a procura interna caiu de -3% para -4,1%, em três meses o défice público, porque nem tudo caiu, subiu de 5% do PIB para 6,6%, em três meses a dívida pública passou de 122% para 123,35% e, mais alarmante que tudo, seguindo o País numa espiral absolutamente descontrolada de crescimento do desemprego, este passou de 16,4% em Dezembro de 2012 para 18,2 em Março deste ano, estando Portugal à beira de atingir o número esmagador de um milhão de desempregados.

O Governo perdeu nessa “fatídica” Sexta-Feira o Ministro das Finanças elevado à categoria de astrólogo que, qual Zandinga, não acerta uma, o CDS-PP esbraceja e reclama uma remodelação do Governo, os parceiros sociais dizem que é impossível qualquer diálogo com o Governo pois este governa para a Troika e não para Portugal e para os Portugueses e o povo, esse, reclama nas ruas como nunca antes, bramindo que já não aguenta mais.

O Governo perdeu a mão e é preciso um novo horizonte. O Governo falhou todas as metas do défice. O défice acordado com a Troika para 2012 era, “ab initio” de 4,5%, entretanto essa meta foi alterada para 5%, mais tarde foi novamente alterada para 5,5% e a fechar o ano o défice bateu nos 6,6% do PIB com receitas extraordinárias como é o caso da privatização da ANA.
O Governo não sente o pulsar do País, o Governo é liderado por políticos inexperientes e insensíveis (neste particular faz lembrar a liderança da Coligação Juntos por Braga), o Governo não aponta uma saída que seja para a espiral recessiva em que mergulhou o País.

Por tudo isso, o Governo merece censura e é preciso afirmar uma alternativa. É preciso olhar o País de outra forma, pondo de parte, imediatamente, a condução política assente, apenas, numa lógica de austeridade, austeridade, austeridade, mantendo, obviamente, rigor e um controlo sério das contas públicas mas olhando, de uma vez por todas, para a economia com uma visão pro-positiva, orientada para o crescimento económico e para a criação de emprego.

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