Correio do Minho

Braga, quinta-feira

O genocídio fiscal

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Ideias

2012-10-15 às 06h00

Artur Coimbra

1 Por estes dias não se fala em outra coisa, a propósito da proposta do Orçamento de Estado para 2013, cujas linhas gerais foram apresentadas pelo ministro das Finanças, político comprovadamente incompetente, um aprendiz de feiticeiro que não há meio de acertar uma única previsão que ele próprio faz. Pode ser sério, mas é um desastre para o país. É o que Almeida Santos chama com verdade “um falso génio” e que num governo liderado por um primeiro-ministro capaz já estaria de regresso à academia de onde nunca deveria ter saído.
O que se sabe sobre o orçamento habilita a concluir que anda à solta uma ofensiva governamental contra as carteiras dos cidadãos.
Está anunciado aquilo que tem suscitado díspares mas convergentes definições e que diariamente a comunicação social vem pormenorizando. Um “brutal aumento” de impostos espera-nos no próximo ano. Um “OE demolidor”. Um “genocídio fiscal”. “Um assalto à mão armada aos contribuintes”: como bem sintetizou Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD. O maior agravamento de tributos de que há memória. Uma selvajaria que deveria ser suficiente para dar guia de marcha a tais rapinadores (que não têm outro nome), mandando-os saquear para outro lado. Isto se tivéssemos um Estado Democrático a funcionar e um Presidente da República, que não temos. Cavaco Silva bem reclama que “austeridade em cima da austeridade só dá recessão económica e degradação social” e bem facebooka, passe o neologismo, contrariando o imbecil “custe o que custar” de Passos Coelho, que “nas presentes circunstâncias, não é correcto exigir a um país sujeito a um pro-cesso de ajustamento orçamental que cumpra a todo o custo um objetivo de défice público fixado em termos nominais».
Mas nada acontece: os seus correligionários que estão no governo não lhe ligam a mínima e continuam impantes na tarefa de triturar a classe média portuguesa, até ficarmos todos no limiar da pobreza, como parece ser a agenda ideológica deste governo!...
Os aumentos de impostos anunciados pelo ministro das finanças (IRS, IRC, IMI, etc.) representam um dilúvio fiscal, uma escandalosa pilhagem aos bolsos dos portugueses.
E depois desta pouca-vergonha, ainda vem Vítor Gaspar, com a maior cara de pau, afirmar que “espera que esta situação seja bem compreendida”. E até não se coíbe de proclamar, com a maior desfaçatez, que “o povo português é o melhor povo do mundo e os portugueses são o melhor activo do país”. É preciso ter lata, neste esplendor de cinismo!... Pena é que o mesmo não se aplique ao executivo, certamente o pior de que nos lembramos, na perspectiva dos portugueses.
Afinal, assistimos à mesma receita de sempre, que é ir ao fundo dos bolsos dos mesmos, o que já comprovadamente se verificou que não deu resultados.
A classe média está a ser atrozmente perseguida, quando é ela que faz mover a economia.
Como bem afirmou há dias Marques Mendes, o assalto aos contribuintes “vai matar a classe média. E um país sem classe média é um país sem futuro. (…) Mais impostos significa mais recessão, mais desemprego, mais economia paralela, mais fuga aos impostos e mais prestações sociais”.
Mas até os pobres desempregados e os fragilizados doentes vão ser saqueados pela máquina trituradora do Estado. Os cortes a estes grupos sociais vão render 180 milhões de euros…
É o “Estado Social” a bater no fundo, às mãos de um executivo liderado por um alegado social-democrata!...


2 No meio deste clima de guerra suja do governo contra os portugueses, avulta, desde logo, a revoltante insensibilidade social de Passos Coelho. O tal do “custe o que custar” iremos até onde for preciso. O mesmo que denuncia uma repulsiva indiferença perante o sofrimento dos portugueses, como se tem verificado. Ainda esta sexta-feira, no debate quinzenal, no Parlamento, reiterou, com a maior insolência, que pertence a uma “raça de homens” (seguramente sem coração…) que honra os compromissos, mesmo que tenha de pedir aos portugueses “um sacrifício ainda maior”. Mas este homem deve estar louco. Deve viver na estratosfera. Com as medidas avassaladoras que estão anunciadas para 2013, que vão deixar de rastos os cidadãos, ainda tem o descaramento de afirmar que, se for necessário, ainda reforça a austeridade, apenas porque quer entrar no Guiness como o aluno melhor comportado, obediente e submisso da troika. Para este maníaco da austeridade, as pessoas que se lixem!...
Razão tem Pinto da Costa, ouvido pelo JN sobre o mesmo debate: “o que mais me chocou foi o desprezo evidenciado, a todo o momento e em qualquer intervenção, pelas pessoas”.


3 Não deixa de ser também patética, a alinhada posição do Cardeal Patriarca de Lisboa, condenando as manifestações de rua e afirmando que “não se resolve nada contestando, vindo para grandes manifestações”. É o infeliz apelo ao comodismo dos portugueses, ao conformismo, ao aceitar da austeridade, à inacção, à resignação cristã e salazarenta. Inacreditável o ponto a que chega o seguidismo de D. José Policarpo perante o governo, mais parecendo o seu fiel porta-voz: “há sinais positivos de que os sacrifícios levarão a resultados positivos”. Mas o que é isto: o mais alto membro do clero português a benzer de batina e hissope, como antigamente, a política de agressão do governo contra o seu povo e em especial a classe média?
E não há nenhum Pires de Lima que venha protestar contra esta incrível afronta e “lavar a honra” do governo, defendendo, muito justamente, que Policarpo tem de escolher entre ser bispo ou ser político?!...

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