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O futuro já é presente, e agora?

O espantalho

O futuro já é presente, e agora?

Ideias

2020-05-10 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

A complexidade da resposta sobre este novo presente, reafirma as incertezas e dúvidas que se vão prolongar. Ninguém arrisca previsões. Enquanto o desconfinamento “gradual” se vai afirmando, num presente que se vai alongar por um tempo indeterminado. Apenas ouvimos e lemos, algumas opiniões mais ou menos sustentadas, sobre este contexto difícil. Uma realidade que se estende a todos os setores, que se estendem da saúde à economia, passando pela educação em todos os sistemas. Pela cultura em todos os seus setores. Pelo setor social em todas as dimensões. Pela dinâmica das cidades e pela calmia do mundo rural. Pelo turismo e pela ameaça dos óbitos anunciados na restauração e na hotelaria. Enfim, por aí adiante…
Não estando posta de lado a recidiva desta pandemia, que configura uma guerra biológica, anuncia-se, entretanto, o limiar de uma guerra económica, que se radica na falta de confiança das pessoas nas empresas e nas instituições. Em que ninguém sabe quanto vai custar o tempo gasto, o investimento material, até ao presente. A verdadeira dimensão dos recursos necessários, para se responder à «nova ordem mundial», cada vez mais assente numa realidade virtual, numa cultura, marcadamente, tecnológica e muna ética digital. Apesar do contributo e do investimento que está a ser feito na investigação científica e na valorização social do conhecimento.
Uma tensão social começa a desenhar- -se no horizonte, apesar do efeito analgésico da resiliência que carateriza a nossa idiossincrasia. As famílias têm necessidade de alimentar os seus filhos e de casa para viverem. As pessoas precisam de assegurar e manter o emprego para reporem os seus rendimentos, e fazerem face aos seus compromissos. O esforço financeiro dos cidadãos e dos cidadãos é cada vez mais evidente, para fazerem face ao endividamento que está a ser contraído, para pagarem a fatura das despesas com a saúde e para garantirem o funcionamento do setor produtivo e da normalização do setor social.
Os custos económicos avultam-se à medida que o tempo passa e a quebra da produção de riqueza se aprofundando. Este é o contexto da comemoração do dia da Europa, que assinala o aniversário da histórica «Declaração Schumann». Este ano centrada na homenagem especial aos cidadãos que estão a ajudar a União Europeia a superar esta a crise em que estamos mergulhados. Uma crise que anuncia a quebra do PIB a médio longo prazo e preconiza a adoção de medidas de austeridade drásticas, apesar das medidas que estão a ser anunciadas pelo governo e pela União Europeia.
Uma realidade económica e social que coloca novos desafios, que exigem respostas inovadoras e ao nível da sua complexidade. Passando pelo fortalecimento do entendimento dos principais atores mundiais, apesar da desarticulação da forma como os países estão a gerir a pandemia, que não augura grandes esperanças, a começar pela União Europeia. A que se juntam a incertezas de carater geopolítico, que a ONU e a OMS estão a tentar gerir de forma muito inteligente, em face das incertezas e do comportamento ínvio e displicente das grandes potências, e de alguns países que ambicionam aquele estatuto. Uma incerteza que supera todas as soluções, que não preconizam alinhamentos futuros de grande solidez a curto médio prazo.
Como será a tendência da nova ordem mundial, depois de uma etapa com forte incidência nos interesses económicos? Uma ambiguidade à escala mundial, que deixa no um conjunto de dúvidas na esfera desta guerra económica, que se está a desenhar. Em relação às dúvidas em relação à mudança dos modelos de organização económica para dar resposta aos novos desafios. À dispersão geográfica das grandes cadeias de valor globais. Aos setores de negócio que vão ganhar e que vão perder. À alteração do comportamento dos consumidores. Aos impactos nas cadeias de distribuição, e às alterações do comportamento dos consumidores.
Como podemos constatar, apesar do conhecimento produzido as dúvidas superam as respostas. A este nível, estamos num daqueles contextos em que a análise de cenários e a antecipação de das situações futuras, em espaços de tempo cada vez mais curtas é a posição mais acertada. A reconversão e a procura de novos nichos de mercado e o desenvolvimento de planos de contingência marcará, como está a acontecer, as dinâmicas empresariais nos seus mais variados setores. Temos que continuar a apostar no caminho que estamos a percorrer.
O futuro já é presente, e agora? Não sabemos quanto tempo toda esta situação vai durar, e se vamos ter que enfrentar novas ondas pandémicas, e as derivas políticas e económicas, locais, nacionais e transnacionais. O futuro será um presente contante, que temos que continuar a construir em permanência!

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