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O futuro do retalho

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O futuro do retalho

Escreve quem sabe

2022-03-14 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

Acompanho, com estupefação, os desenvolvimentos da guerra na Ucrânia. Sem agirem diretamente no campo de batalha, os países sob alçada da NATO definem estratégias para combater a Rússia, que consideram agressor. A decisão de combate mais forte consiste em isolar os bancos russos mais importantes, retirando-lhes as possibilidades SWIFT, e cativando contas de oligarcas relacionados com Putin. Especialistas questionam a eficácia destas medidas, sugerem possibilidades de fuga pela moeda e instrumentos bancários chineses, ou, talvez mais relevante, acreditam na força da criptomoeda, quase impossível de controlar. A prevalência de novas formas de pagamento ou de transação altera, como se pode facilmente depreender, a forma como se processará doravante toda a atividade comercial e implica a criação de estratégias novas e diferenciadas.

Pagar a aquisição ou troca de bens vem-se processando, desde tempos imemoriais (no tempo de Jesus Cristo já se pagava em moeda), pelo uso de moeda, geralmente de metal, e notas. A evolução tecnológica e contextos específicos potenciam, no entanto, avanços extraordinários nas formas de pagamento, alterando a interação entre os diversos intervenientes. Pode afirmar-se, sem nenhuma estupefação, que a presente pandemia de Covid-19 originou um salto visível, seja na criação de mecanismos digitais diferenciados, seja na forma de controlo sanitário. Sem quase me aperceber, dei por mim a evitar o manuseamento de dinheiro, na crença de que tais objetos físicos são portadores de bactérias potencialmente mortais. Nada que fosse desconhecido, mas a verdade é que me vi repentinamente na posse e uso de MB WAY, Revolut, PayPal, Google play e outros, direta ou indiretamente carteiras digitais eficientes, tendo bastado a indexação a um cartão bancário. O MB WAY é, aliás, uma solução da Sibs com muito sucesso. Este facto acompanha o meu apetite por compras on-line, exatamente pelo mesmo motivo, isto é, senti a necessidade de reduzir, o mais possível, contactos pessoais, seguindo, aliás, avisos da Direção-Geral de Saúde. Em resultado de algumas situações em que me vi envolvido, sei que as empresas de retalho necessitam de prestar mais atenção às formas de atendimento e devem evoluir rapidamente nas políticas de devolução. No caso português, falhas graves nos serviços dos CTT e em serviços intermédios das próprias empresas são suscetíveis de emperrar a engrenagem evolutiva.

Partindo da constatação de que há uma crescente preocupação com o ambiente, prevê-se que haja, no retalho e nas atividades correlativas, modelos produtivos adequados a este nascente sentimento. Por exemplo, venho verificando em sítios de vendas como o Ebay, o Stand Virtual ou o OLX, um apetite novo por produtos usados. Eu próprio comprei há pouco tempo um telemóvel e duas colunas de som para a minha televisão, a um preço e funcionamento excelentes. Esta é uma forma de reciclar produtos que me agrada muito, pois sinto estar a contribuir para o aproveitamento de produtos que, de outra forma, acrescentariam lixo ao lixo já existente. Penso também pôr à venda algum material informático supletivo que, além de aliviar o pouco espaço que tenho em casa, servirá eventualmente a alguém. Não sei se será possível recondicionar dois tablets que têm problemas nas baterias, mas vou tentar. O comércio de recuperação e de recondicionamento têm um bom futuro à sua frente, e bom seria se fosse proativo, no sentido da construção de bases de dados informativos sobre produtos, datas de validade, presunção de avarias e outras possibilidades. Recebo avisos sobre serviços de inspeção automóvel, não ficarei admirado se receber um dia avisos equivalentes sobre serviços de inspeção de computadores pessoais. Prevenir avarias, porque não? Bases de dados sobre clientes e suas preferências são já o abecê do atual retalho, que se dirige especificamente a pessoas pré-selecionadas. O futuro irá cada vez mais por aí.

Como será o supermercado, o hotel, o retalho do futuro? É evidente a ascensão das máquinas, com a consequente diminuição da participação humana. Dir-se-á que tal ascensão é nociva à empregabilidade. Se pensarmos bem, no entanto, concluiremos que, se certas profissões se reduzem ou desaparecem, outras nascem saídas, qual fénix renascida, das suas cinzas. O importante é que o retalho e o comércio geral contribuam para a felicidade do mundo.

*com JMS

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