Correio do Minho

Braga, terça-feira

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O fungagá da bicharada

Futilidade Aberrativa Pomposa

Ideias

2013-02-08 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Ou dos políticos. De há uns tempos a esta parte tem havido todo um fungagá face à aproximação das autárquicas. Disputam-se lugares nas concelhias e distritais partidárias, lançam-se nomes e candidaturas, “atiram-se” e “jogam-se” vereadores e ”vice-presidentes, etc., tudo num alarido de musicata e de filarmónica reles e num fungagá de vozes e cantatas nem sempre consonantes, surgindo aqui e ali “fífias” e atropelos às decência, bom senso e à inteligência de um povo. E até com mais um voto “esquisito” como em Santo Tirso, já que “não pode haver 644 votos com 643 militantes”(JN, 3.1.13). Aliás as divergências e dissenções entre as “máquinas partidárias” concelhias, distritais e nacionais são por demais frequentes e conhecidas.

Mas é a política que temos no país com contínuos e repetitivos vozeares e fungagás dos “bichos” partidários, cada um procurando manter os “tachos” e poder e continuar a fruir das benesses da mais importante e rentável profissão da actualidade : a política. Como aliás flui do facto de uma deputada, que cumpre a terceira legislatura e foi referenciada pelo álcool detectado, ser “profissional da política, que sempre exerceu, apesar de licenciada em Engenharia Mecânica”, (JN, 10.1.13), tal como a autarca de Palmela, de 48 anos, que, após cumprir o terceiro mandato e sem poder recandidatar-se, se vai reformar em Fevereiro e com “uma reforma de 1859,67 euros” (JN, 12.1.13). E claro ... devido ao seu tempo de serviço e descontos havidos (!?!)...

Uma profissão muito rentável, não só com vista às autárquicas mas ainda e sobretudo em relação ao governo, pois até o Zorrinho vem agora dizer que o seu partido está pronto para governar, assim o povo o queira. Aliás esta nota de democracia “cai” sempre bem quando o povo vem sendo fustigado com os cortes e os custos de uma crise criada, ou pelo menos engrossada pelo último governante do seu partido, que, indo de PREC em PREC, até subscreveu o malfadado memorando com a troika para haver dinheiro e não se entrar logo em bancarrota.

Fala-se já muito na ilegitimidade deste governo, sua demissão, e na «enxurrada governamental de medidas que têm contribuído para o aumento do desemprego, da pobreza, da desprotecção social, da exclusão», e admitimos que talvez se pudesse fazer melhor, mas estamos com Cândido Morais ao escrever que “quem manda em Portugal são os nossos credores. E é factual que estes foram chamados pelo Partido Socialista porque, ao fim de seis anos de (des)governo se mostrou incapaz de resolver os problemas por si mesmo criados. Pela terceira vez (já tinha acontecido em 1978 e em 1983) ficou provada a incompetência governativa do PS” (D.Minho, 6.1.13).

Aliás uma estória por vezes esquecida, sendo apenas incontornável que um povo sem memória cai facilmente na estupidez de olhar só para o umbigo e para as promessas impossíveis e utópicas dos actuais e quaisquer “vendedores da banha da cobra”.

Mas voltando ao tema inicial, curiosamente, ou talvez não, os autarcas que saem procuram “preparar” o caminho aos seus sucessores do partido, balizando-lhes obras, acenando-lhes apoios e dando-lhes “dicas”, porque do seu interesse, embora aqui e ali sejam confrontados com intrusos na “corrente” ou “facção” no poder.

Perdido o lugar de governador civil, há quem queira voltar à sua anterior autarquia contra a vontade, ditames e orientações locais das “chefias” dirigentes, e se já se fala em coligações que não se manterão se o candidato for certa personalidade, continua-se a apostar nos prós e contras de o candidato ser fulano ou beltrano, tudo isto num fungagá de críticas, de birras, de intrigas, de posições bacocas e de “assomos” de poder por casuais, ridículas e muito pessoais divergências e diferentes alinhamentos no “clube partidário local” dos “bichos”. Com medo de se perder o poder e a importância no quadro partidário e no exercício de tão famosa (!?) “profissão”.

Aliás forçosamente temos de concluir que já se vêm preparando parceiros e candidatos para os próximos “jogos do poder autárquico”, mas é imperioso sublinhar-se, face às faladas mudanças administrativas, fim de algumas freguesias e maior controlo do despesismo autárquico, que tudo isto não irá ter reflexos negativos para o povo (bem pelo contrário!), muito embora possam surgir efeitos perversos para os que vivem da “profissão política” e vêem na eleição autárquica a manutenção do penacho e uma certa prosperidade, um ordenado seguro e outras alcavalas. Na verdade para certa “bicharada” muitos terão a perder se não forem atingidos os seus objectivos, pois a reforma administrativa e a diminuição de “cargos” autárquicos não deixarão de afectar suas vidas em termos sócio-económicos. Ao invés da saída de um governo, não haverá sempre administrações, bancos, Iberolas, Mottas Engils para um seu encaixe posterior.

Em Portugal a “política” tornou-se a profissão mais apetecível, rentável e importante para uma ascensão económica e social, por se ser falado e conhecido, com boas reformas e uma contagem de tempo de serviço ímpar e inimaginável. Aliás se não fossem profissionais da política não se falaria hoje e ainda dos Soares, Eanes, Sampaios, Cavacos, Guterres, Amarais, Sócrates, Seguros, Louçãs, Passos, Portas, Jardins, Capuchos, Pachecos, F.Leites, etc.,etc.

Sendo nomes normais e sem um particular significado, apenas são evocados pelo que fizeram ou não na política e ao país, embora conduzindo um povo à bancarrota. O que voltará a acontecer com a “bicharada” em fungagás e movimento para as autárquicas temendo a intromissão e controlo do poder central e que a redução de freguesias seja perversa para “clientelas” e “votos” nas assembleias, e o poder.

Impõe-se acabar com a “profissionalização” da política e operar uma profunda reformulação, mas sem utopias, bacocos “arrotos” democráticos e encargos públicos inúteis e dispensáveis. O povo, já a suportar muitos impostos, não esquece os antigos presidentes das juntas, à borla, que muito fizeram pelas freguesia e democracia!...

E a verdade é que “o país precisa de gente vocacionada e preparada para a actividade política. Gente marcada pelo propósito de servir, com honestidade e competência, mais que pelo desejo de encontrar emprego e fazer nome na política” (D.Marcelino, in Diário do Minho, de 6.1.13).

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