Correio do Minho

Braga, quarta-feira

O fundo da Geringonça

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Ideias Políticas

2017-01-31 às 06h00

Francisco Mota

A actual situação política nacional, diria que está ao nível de um País que nunca se conseguiu resolver com os seus decisores, significando isto que não está, nem estará resolvida, pois podemos discutir a legitimidade, as opções e as grandes limitações ideológicas, até colocar à colação a utilidade do voto, mas há algo que nunca terá agenda nem será escrutinado, a entrada ou não dos Homens de valores na política. Esta escola caberá à política, encontrar-se na forma e no conteúdo de credibilizar para catequizar os melhores ao serviço da causa comum.
Parecendo esta a melhor introdução, filosófica é certo, para o início da questão, a verdade é que confrontada com a realidade torna-se bem mais dura de encarar.

Partidos políticos desacreditados: com sistemas internos blindados por um qualquer poder instalado, fazendo lembrar os tempos de outra ordem, não permitem a liberdade de escolha dos seus constituintes, mas não foi precisamente para as escolhas em democracia que eles tanto lutaram?

Políticos sobreviventes: quando nos deparamos em táticas pouco claras, reunidas na escuridão das suas acções, percebemos rapidamente que eles não procuram o caminho da sobrevivência do País, mas antes sim, a sua sobrevivência no País. Os Homens bons, perdem e saem. Os Homens bons na política esperam pela sua oportunidade e constroem a legitimidade de um projecto. Não quero, com isto dizer que têm que desistir daquilo que acreditam, bem pelo contrário, mas não podem ultrapassar o bom senso com um falso consenso. Encontrar nos extremistas uma solução de governo liderado por alguém que perde umas eleições não será no mínimo inconsequente?

Políticas de ocasião: não olhar aos meios para atingir os fins políticos, trair a sua própria independência como forma de garantir um qualquer lugar e pensar nas futuras eleições em detrimento das futuras gerações não será um risco enorme para o político e maior ainda para Portugal? Complementaria uma ideia de Ricardo Costa esta semana no expresso “A sensação de aceleração do ciclo político é genuína, mas dificilmente terá consequências a curto prazo. É verdade que o PSD optou por uma linha mais dura, que o PCP e o BE têm pouca margem para serem tolerantes, que o CDS procura a autonomia e que isso deixa o PS mais isolado. Mas é ainda mais verdade que essa sensação de aceleração se deve sobretudo à necessidade de delimitar terreno, típica da aproximação do meio dos mandatos”, ou seja, vemos os partidos arrepiar caminho numa relocalização das suas estratégias, temos uma esquerda com quase tudo cumprido dos acordos estabelecidos no início da geringonça, o que coloca PCP e BE numa situação confortável para iniciarem uma norma forma de estar no parlamento do lado da oposição e ainda a direita a deixar a sua ingenuidade de parte, não dando a mão às políticas moderadas do governo socialista.

Diria que a corda arrebentando não passará de um governo minoritário que não consegue governar, com duas agravantes: uma que nunca foi politicamente legitimado para o fazer e uma segunda é que foi com o compadrio de um presidente da república de direita que mais se preocupou com uma fachada de estabilidade política ao invés de perceber que não basta levar apenas o governo ao colo para ele ser governável.

A força das palavras: percorrer os jornais diários e neles não ser escancarado o mal tão grande que têm feito ao nosso Portugal é arrepiante, mas ao mesmo tempo visto com normalidade, lembram-se da forma como foi anunciado ao País o terceiro resgate financeiro? Como eram as capas dos jornais e letras gordas no dia anterior?

No fundo, este País até poderia merecer o que tem, mas a verdade é que nem foi isto o que o seu Povo escolheu. No fundo, o fundo da geringonça é nada mais que um qualquer projecto da Parque escolar, que custa milhões ou nem foi construído, mas que continuamos a pagar a factura como se de uma grande festa sem fim se tratasse. Isto é o fundo da geringonça, mas antes de colocarem em vilar formoso a placa a dizer “Vende-se” e de entregar o País novamente aos credores, coloquem uma outra que diga: “Políticos Precisam-se!”

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