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O fantástico Príncipe de Coura

O Serviço Nacional de Saúde numa encruzilhada

O fantástico Príncipe de Coura

Ideias

2022-09-26 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

Há uns anos, quando visitei a Câmara Municipal de Paredes de Coura pela primeira vez, encontrei uma agenda com ilustrações de elevada qualidade. Elogiei o bom gosto da autarquia e o presidente da Câmara, Vítor Paulo Pereira, explicou-me que as crianças de Paredes de Coura tinham o mesmo direito a contactar com os trabalhos dos melhores ilustradores que as crianças das grandes cidades. A explicação expunha toda uma visão política que só viria a conhecer mais tarde.
O Príncipe é o símbolo do Município de Paredes de Coura. Não porque Coura seja terra de monarquias ou famílias reais, mas porque se assume com determinação e clareza que o propósito maior da Política é cuidar dos príncipes que há dentro de cada criança. É uma determinação visionária - uma terra só pode ter futuro se cuidar bem das suas crianças; se garantir que cada um dos seus princípes e princesas tem condições para crescer nas dimensões física, psicológica e social.

Defendemos que todas as crianças tenham direito a crescer com tranquilidade e segurança; a experimentar oportunidades para desenvolver as suas potencialidades; a encontrarem nas escolas e nas comunidades o respeito pela sua natureza e a valorização da sua individualidade; a contactar com a diversidade que existe na natureza e na sociedade; e a perseguir os seus sonhos independentemente do local onde se nasce e cresce.
É certo que toda a organização da sociedade tem impacto na forma como crescem as crianças. Empregos que garantam estabilidade, acesso aos cuidados de saúde e disponibilidade de respostas sociais são fundamentais para que as crianças se desenvolvam de forma harmoniosa. Mas o Príncipe de Paredes de Coura vai mais além e coloca o foco na cultura e na educação.

Não são apenas intenções. Os projetos multiplicam-se. Desde a creche até ao 9º ano de escolaridade, o Município financia vários projetos para os seus princípes e princesas. Desde o Espaço Lego com workshops para crianças e famílias até à muito emblemática Escola do Rock. As crianças do pré-escolar têm aulas de judo, de ioga e de inglês. As famílias têm programas dedicados no Centro Cultural. Os grandes filmes do circuito mais comercial passam ali ao mesmo tempo que em Braga, Lisboa ou Porto, apesar do desinteresse das companhias privadas.
As oportunidades de uma criança de Paredes de Coura estão muito acima da média nacional e isso é a melhor garantia de futuro para um município que soube fazer da distância aos grandes centros urbanos uma força para combater as dificuldades e as fragilidades que a interioridade e o centralismo sempre comportam.

A educação e o desenvolvimento são as raízes de cada Príncipe e, simultaneamente, são as fundações da própria sociedade. Com raízes sólidas, suportamos melhor os ventos da incerteza e da intranquilidade que, desde sempre, caracterizaram o mundo. Ter como objetivo primeiro da ação pública lançar as bases e acompanhar o percurso das crianças “para que cresçam seguras e confiantes nas suas raízes” é precisamente assegurar a resiliência que é necessária para resistir aos tempos e aos ventos a haver.
Mas é muito importante que o foco não esteja na competição demasiado centrada em competências cognitivas. E, por isso, é muito reconfortante ler um manifesto que defende que a ternura deve andar de mãos dadas com a exigência, que estimula a inquietação, que promove a descoberta, que deseja “crianças criativas e com gosto pela inovação” e que se revê em crianças “capazes de sentirem a fragilidade mas com força para encararem os desafios.”

O Princípe de Coura é exemplar e enche-nos de esperança no futuro. Além do mais, recorda-nos, contra a gritaria do populismo, que afinal as políticas e os políticos contam decisivamente para a transformação da sociedade. As autarquias têm aqui uma missão decisiva na definição da visão que cada comunidade tem de si e do seu futuro.
Depois de conhecermos o Princípe de Coura, ficamos com vontade de dizer que as crianças das outras cidades, vilas e aldeias têm o mesmo direito a crescer seguras e confiantes como se cresce em Paredes de Coura.

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